Metaverso: realidade ou hype?

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Metaverso: realidade ou hype?

Ao menos sob a minha perspectiva de "usuário civil", creio que qualquer um com um pouco de bom senso é capaz de apontar que a hype que foi criada ao redor do Metaverso não estava condizente com o efetivo uso na vida real.

Parecia até aquela fábula da roupa invisível e que o "Rei está nú".

Basicamente todas grandes consultorias, advisors e afins davam o metaverso como uma grande certeza do mundo.

Você acabava até se sentindo obsoleto em apontar que não via as coisas dessa forma.

Mas o tempo é o senhor da razão e a realidade cedo ou tarde se impõe!

O Metaverso, promovido como o próximo grande avanço tecnológico há dois anos, parece ter sido ofuscado pelo interesse recente em Inteligência Artificial Generativa.

No entanto, a ideia de mundos virtuais interconectados persiste com significativo potencial subjacente, apesar dos desafios e do esfriamento inicial do entusiasmo

Li recentemente essa matéria da ComputerWorld e gostei da abordagem que ales adotaram, bem mais realista do que o usual:

https://www.computerworld.com/article/3697812/metaverse-not-dead-yet.html

Recomendo a leitura por conta de ela trazer uma visão bem balanceada, sustentada pelo Gartner.

 

A análise do Gartner

O artigo descreve uma trajetória de altos e baixos para o Metaverso, começando com uma grande expectativa seguida de uma desaceleração notável no interesse e investimento.

Inicialmente posicionado como a próxima fase da internet, espaços 3D persistentes e interconectados para trabalho, lazer e comércio virtual, o Metaverso enfrenta obstáculos significativos.

A tecnologia necessária para criar ambientes virtuais ultrarrealistas ainda está em desenvolvimento, com avatares caricatos e headsets de realidade virtual caros e desconfortáveis marcando o estado atual da arte.

O foco do hype tecnológico deslocou-se para a Inteligência Artificial Generativa, enquanto o Metaverso, agora por vezes chamado pejorativamente de "Meh-taverse", é visto por muitos como um conceito em declínio.

Grandes empresas, como a Meta (anteriormente Facebook) e a Microsoft, ajustaram seus investimentos, refletindo um retorno abaixo do esperado e um reposicionamento de prioridades para a IA.

No entanto, o texto sugere que o conceito de Metaverso não desaparecerá completamente.

Prevê-se que o desenvolvimento de uma camada de experiência 3D sobre a internet pode levar uma década, com tecnologias relacionadas ainda emergindo em áreas como hardware e software, além de padrões essenciais para sua operacionalização.

O estabelecimento do Metaverse Standards Forum e o investimento contínuo em tecnologias subjacentes indicam que os precursores do Metaverso podem, eventualmente, evoluir para uma forma mais completa no futuro.

Empresas continuam a explorar o uso de realidades virtual e aumentada, e mesmo ambientes 3D baseados em navegadores, como testes iniciais para aplicações mais robustas do Metaverso.

Além disso, áreas como colaboração no local de trabalho e educação começam a ver aplicações práticas, apesar dos desafios tecnológicos que permanecem.

 

A meia volta das consultorias e advisors:

Nos últimos anos, o frenesi em torno do Metaverso, proclamado por consultorias e advisors como a fronteira final da inovação tecnológica, dominou discussões e previsões de mercado.

Este conceito foi vendido como uma revolução iminente, pronta para transformar completamente a forma como interagimos digitalmente.

No entanto, após um período de expectativas infladas, observa-se agora uma reavaliação significativa das projeções iniciais.

Historicamente, as grandes consultorias e firms de análise, como Gartner e Forrester, têm desempenhado papéis cruciais ao moldar as expectativas do mercado e direcionar os investimentos em tecnologia.

Elas têm o poder de destacar ou minimizar tecnologias emergentes através de seus influentes relatórios e análises.

No caso do Metaverso, inicialmente, essas entidades não hesitaram em promover a visão de um mundo virtualmente interconectado como a próxima grande evolução da internet.

Contudo, conforme citações recentes sugerem, há agora uma mudança notável na narrativa.

"We think that, in the future, something like the metaverse will exist, whereby we have a 3D experience layer over the internet," afirma J.P. Gownder da Forrester, adicionando que "the development of the metaverse could take a decade."

Este ajuste de expectativas revela uma nova prudência, refletindo uma compreensão mais realista do tempo e dos desafios tecnológicos envolvidos.

Essa mudança de postura das consultorias não é apenas uma adaptação às realidades tecnológicas, mas também uma resposta à recepção do mercado e às limitações práticas observadas nas fases iniciais de desenvolvimento do Metaverso.

Por exemplo, as vendas de headsets de VR e AR não alcançaram as expectativas, e gigantes da tecnologia como Microsoft e Meta reavaliaram seus investimentos pesados em face dos retornos modestos.

 

Sinto falta de um mea-culpa

Interessante notar é a falta de um "mea-culpa" explícito por parte de muitas dessas consultorias, que optaram por simplesmente ajustar suas previsões sem um reconhecimento aberto dos erros passados.

Este silêncio pode ser visto como uma tentativa de preservar a credibilidade, mas também levanta questões sobre a transparência e a responsabilidade no ecossistema de consultoria.

Em contraste, a abordagem da Gartner ao explicar suas razões para reajustar suas previsões fornece um exemplo de como as firmas podem manter sua integridade e confiança junto ao público.

Ao refletir sobre essas dinâmicas, é evidente que a consultoria em tecnologia não apenas influencia, mas também é influenciada pelas complexidades do desenvolvimento tecnológico e pelas reações do mercado.

Essa interdependência destaca a importância de uma análise contínua e adaptativa que possa responder de maneira flexível às mudanças do cenário tecnológico.

 

O Que é o Metaverso: Conceitos e Características Fundamentais

O termo "Metaverso" tem suas origens na ficção científica, mais notavelmente no romance "Snow Crash" de Neal Stephenson, onde descreve uma realidade virtual imersiva habitada por avatares de usuários reais.

Na prática contemporânea, o Metaverso refere-se a um espaço digital coletivo, criado pela convergência de realidades físicas e virtuais aprimoradas, onde os usuários podem interagir em ambientes tridimensionais.

Com suas raízes na ficção científica, agora se materializa gradualmente através dos esforços combinados de inovadores tecnológicos e líderes de mercado.

À medida que este espaço continua a evoluir, será crucial monitorar como esses desenvolvimentos influenciam as interações humanas dentro e fora do ambiente digital, configurando um novo paradigma para a realidade virtual integrada e persistente.

Principais Conceitos e Características do Metaverso:

  • Imersão: Uma característica distintiva do Metaverso é a imersão, que é aprofundada por tecnologias de realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR). Essas tecnologias permitem aos usuários sentir-se parte do mundo virtual, proporcionando uma experiência mais realista e envolvente.
  • Interatividade e Permanência: Ao contrário dos jogos ou ambientes virtuais tradicionais, o Metaverso oferece um mundo persistente que continua a existir e evoluir mesmo quando o usuário não está conectado. Isso permite uma interação contínua e desenvolvimento de atividades econômicas, sociais e culturais.
  • Economia Virtual: O Metaverso suporta uma economia digital complexa, onde os usuários podem criar, comprar e vender bens e serviços. Isso é facilitado por moedas digitais e tokens não fungíveis (NFTs), que permitem a propriedade digital e a monetização de ativos virtuais.
  • Identidade e Avatares: No Metaverso, os usuários são representados por avatares, que podem ser personalizados em grande detalhe. Esses avatares servem como extensões digitais dos usuários, permitindo expressões individuais e interações sociais.
  • Acessibilidade e Escalabilidade: Idealmente, o Metaverso é acessível de vários dispositivos e plataformas, variando de smartphones a sistemas de realidade virtual dedicados, permitindo uma ampla participação global.

 

Principais Players de Mercado do Metaverso

O desenvolvimento do Metaverso é liderado por uma mistura de startups inovadoras e gigantes tecnológicos estabelecidos.

Cada um traz uma abordagem única para a construção e a conceituação deste espaço virtual emergente.

Principais Empresas Envolvidas no Desenvolvimento do Metaverso:

  • Meta (anteriormente Facebook): A Meta, liderada por Mark Zuckerberg, é talvez o mais vocal dos gigantes da tecnologia investindo no Metaverso. Com a aquisição da Oculus VR e o investimento significativo em tecnologias de AR e VR, a Meta visa criar um espaço digital onde as pessoas possam conectar-se, trabalhar e jogar.
  • Microsoft: Com sua plataforma Microsoft Mesh e o HoloLens, a Microsoft foca na criação de experiências de Metaverso mais orientadas para o ambiente corporativo e colaborativo, buscando transformar o modo como as equipes colaboram e interagem remotamente.
  • Epic Games: Através do seu popular jogo Fortnite, que já hospeda eventos virtuais e sociais, a Epic Games demonstra como plataformas de jogos podem evoluir para ecossistemas completos.
  • Roblox: Uma plataforma que permite aos usuários criar e compartilhar seus próprios jogos e experiências, Roblox é vista como um modelo inicial do que pode vir a ser o Metaverso, focando especialmente no público mais jovem.
  • Google e Apple: Embora menos vocal sobre o Metaverso, ambas as empresas estão desenvolvendo tecnologias que podem ser fundamentais para o Metaverso, incluindo AR avançada através de dispositivos móveis e óculos inteligentes.

Cada um desses players traz uma abordagem e visão distintas para o Metaverso, influenciando não apenas o desenvolvimento tecnológico, mas também as normas sociais e econômicas que definirão este novo domínio.

O envolvimento desses gigantes tecnológicos sublinha o potencial percebido do Metaverso como uma nova fronteira na interação humana e na economia digital.

 

Sobre Hype e Buzzwords

Você ou sua empresa por acaso faz uso do conceito BOA – Buzzword Orientes Architecture?

Ouvi essa expressão pela primeira vez há algum tempo, quando vi uma matéria na InfoWorld, e inclusive escrevi um artigo, o qual replico parte a seguir.

Acho que em IT somos vítimas (ou seria mais correto dizer "cúmplices"?) dessa praga que é seguir os buzzwords e as hypes que surgem a todo instante.

Certamente já tivemos várias, e muitas outras ainda surgirão!

Acho que a mais recente e que deveria ficar na memória de todos como um exemplo para não ser esquecido foi justamente essa do Metaverso.

Como comentei, basicamente todas consultorias ou empresas de tendências davam como certa a adoção por toda sociedade.

Se fossem pelas previsões, eu e grande parte de quem está lendo esse post estaria fazendo isso a partir do Metaverso, um lugar mágico que iríamos habitar tanto no trabalho quanto em casa.

Uma ou outra empresa até que voltou atrás e publicou algum mea culpa da previsão errada, mas a maioria simplesmente deixou de tocar no assunto como se nada tivesse acontecido!

Antes do Metaverso, uma outra hype que lembro ter sido apontada como o "Santo Graal" era o BPM. Por volta de 2010 o grande mote era a inovação incomparável e, ao menos naquele momento, dada como inevitável do BPM.

Sendo justo, acho que o tamanho do buzz foi em uma menor escala (provavelmente por ter menos apelo "consumer") que o Metaverso e os resultados práticos foram mais significativos do que os do Metaverso, mas ainda assim, muito menores do que a expectativa original gerada para o BPM.

Teve também a hype da metodologia estruturada de desenvolvimento estilo RUP (Rational Unified Process), onde quase toda organização a tinha como a solução de todos os problemas.

Me lembro inclusive de ter ido a uma convenção da Rational em Orlando (2008) e lá estavam milhares de pessoas ávidas por saber o que havia de mais novo sobre o tema.

Passados alguns anos e por conta de ter surgido algo melhor (ou quem sabe os resultados entregues não terem sido tão bons quanto esperados – ou uma mistura de ambos) o rigor e fervor com metodologias RUP deixaram de ser apontado como um "diferencial competitivo".

Embora nesse caso, igualmente sendo justo, talvez não tenha sido um buzz, mas sim uma etapa evolutiva que o mundo de IT tinha que passar para sair do "caos" anterior, criando as "fundações culturais" necessárias para as pessoas e os times serem capazes de ter algum rigor e disciplina, mesmo que posteriormente em processos ágeis.

Um pouco antes, um outro buzz que marcante na memória foi o do ESB (Enterprise Service Bus). Por um tempo parecia que todo o futuro da arquitetura de TI dependeria dessa peça.

Alguns anos no futuro (hoje) e não se ouve mais falar de ESB. Mais uma vez sendo justo, dá até para dizer que o "conceito" de serviços e barramentos sobreviveu na forma de APIs e API Gateways.

 

Concluindo

Na minha opinião, a jornada do Metaverso até agora ilustra uma verdade fundamental sobre inovação tecnológica: raramente é um caminho direto ou previsível.

A transformação do entusiasmo inicial em aplicações práticas sustentáveis exige paciência, investimento continuado e, crucialmente, uma recalibração das expectativas à medida que as realidades tecnológicas e de mercado se desdobram.

Embora o Metaverso possa não ter atendido às expectativas iniciais de uma revolução imediata, a infraestrutura e o interesse necessários para sua eventual realização estão sendo construídos de maneira lenta, mas constante.

Portanto, considero que é prematuro descartar o Metaverso em absoluto, pois ele deve encontrar sua utilidade em algum momento.

Em vez disso, vejo-o como um campo de desenvolvimento emergente com um potencial significativo para remodelar interações digitais e físicas em uma miríade de setores, desde entretenimento até ambientes empresariais, mas só que em um horizonte de prazo de ainda alguns anos.

Este processo gradual de desenvolvimento e integração reflete a complexidade de inovar em escala global e a necessidade de uma colaboração ampla entre diferentes stakeholders tecnológicos e industriais.

Assim, o futuro do Metaverso, embora incerto em contornos e tempos específicos, promete uma evolução fascinante do nosso modo de interagir com o digital e o físico, redefinindo as fronteiras entre eles.

A lição que fica para nós, como líderes e profissionais do setor, é a de manter um olhar crítico e questionador sobre as previsões e tendências proclamadas.

A prudência deve ser uma constante, assim como o compromisso com uma visão equilibrada que pondera tanto as possibilidades quanto os obstáculos.

Desta forma, podemos navegar o futuro da tecnologia não apenas com otimismo, mas com uma estratégia fundamentada e resiliente.

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