A geopolítica na indústria dos microprocessadores

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Estamos em uma disputa da hegemonia em escala global e não faltam evidências dessa contenda geopolítica com as ações recentes dos grandes atores como EUA e China.

E essa tensão tende a ficar ainda mais aquecida agora em um mercado cada vez mais vital: os microchips.

Acho que fazendo um paralelo dá para comparar a importância que os microchips possuem na nossa era atual da “revolução digital” com o quão importante foi o aço na “revolução industrial”. Ou seja, é chave para a ascensão e desenvolvimento de empresas e nações.

Depois de décadas parecendo ignorar esse fato, finalmente percebendo que talvez tenham se tornado muito dependentes do exterior, os EUA criou programas de incentivo para que a sua indústria de semicondutores aumente a sua relevância global.

Com esse incentivo e com sua presença expressiva, a Intel pretende construir novas fábricas no território norte-americano e investir mais de US$ 20 bilhões no setor. Vi outra notícias apontando para outros gigantes do mercado igualmente investindo em novas plantas, como a IBM.

Hoje, os EUA representam apenas 12% da capacidade global de fabricação de semicondutores e creio que esse número é muito menor se forem considerados apenas os chips de alto desempenho como os encontrados em computadores e smartphones.

Lembro também de ler notícias sobre a Intel planejando novas plantas na Europa, se não engano na Alemanha ou Itália. Uma matéria da McKinsey & Company falava da situação da Europa nesse sentido e era ainda pior do que a dos EUA.

Há tempos, se fala sobre a concentração fabril de alta tecnologia na Ásia, com destaque para Taiwan (o que traz a reboque uma dimensão adicional de disputas geopolíticas) e, por isso, não acho que a China vai ficar inerte assistindo ações e bloqueios que a impactem tão diretamente.

Da mesma forma, não será nada trivial reconfigurar logísticas já estabelecidas ao longo de tantas décadas. Mudar das cadeias “off-shore” para as “near-shore” como tem sido dito, vai levar um bom tempo!

Seja como for, sempre que se fala de subsídios ou incentivos estatais são criados atritos internacionais por conta de favorecimento à indústria local e ações anticompetitivas, algo que tem tudo para ser potencializado de forma exponencial quando se trata de algo vital para o mundo moderno e eventualmente até para a soberania das nações e blocos.

Será que ainda dá tempo dos Estados Unidos (e a Europa) correrem atrás do “atraso” ou a corrida dos microchips já está decidida a favor da Ásia?

E por fim, me dá uma certa tristeza ver que esse tipo de discussão de mudanças na sociedade, economia e tecnologia não fazem parte da pauta dos debates nacionais.

Parece que aqui no Brasil somos meros espectadores esperando o que será decidido pelas grandes potências!

Abaixo o link para a matéria da MIT Sloan School of Management: https://mitsloan.mit.edu/ideas-made-to-matter/how-intels-cfo-threads-needle-geopolitics-and-more

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