CIO Codex E-book
Uma introdução clara ao CIO Codex Framework, com os pilares essenciais para transformar TI em valor. Ideal para ter a visão geral do framework.
Mais uma lista de tendências e mais uma oportunidade de fechar o ano e bater o que foi real e o que foi hype!
Acho muito interessante como alguns temas convergem entre as empresas de pesquisa e consultorias, enquanto outros divergem bastante.
Dessa vez é uma do Gartner. Vale a pena assistir ou pelo menos baixar e ler o PDF:
https://webinar.gartner.com/460407/agenda/session/1086423
Nesse webinar eles explicaram as trends que haviam publicado no final de 2022, com o adendo de apontarem cases reais de mercado e organizando em três grandes blocos.
Dessa lista de 2023 vale destacar:
1) O quanto mudou da lista de 2022. Novamente, acho muito instrutivo comparar os materiais de tendências de um ano para o outro
A Gartner não fez tão fácil como outros, que já colocam no mesmo material a visão evolutiva dos últimos 2-3 anos.
Mas ainda assim, para quem tiver a curiosidade de ver o material análogo da Gartner sobre as prioridades estratégicas de 2022 vai ver uma lista de 12 itens quase que totalmente distintos dessa lista de 2023. É bem fácil de se encontrar na internet.
2) Destaque de temas relacionados com SRE. Basicamente 3 de 10 itens tem muito a ver com SRE, seja para criar sistemas "digitalmente imunes" (com o aspecto da observabilidade by design), seja a observabilidade propriamente em um dos tópicos, seja o próprio tema de Adaptative AI, que tem muito a ver com como operar IT (usando SRE).
Ainda dentro de observabilidade, merece atenção o fato de ser apontado um case brasileiro como exemplo global (observabilidade integrada de IT & Business no Banco Itaú). Muito legal ver exemplos do Brasil em um paper internacional!
3) O quanto os temas vão evoluindo ao longo do tempo. O que o Gartner chamou de "Composability" no ano anterior, agora virou "Platform Engineering".
Tudo bem que como um conceito mais amplo, mas me parece que com o mesmo conceito base de prover a fundação e as "peças lego" para a aceleração da entrega de valor por times tanto de IT quanto do próprio business.
Fazendo um apanhado geral das buzzwords que foram surgindo nesses últimos anos e meses, parece que Fusion Teams e outros vão convergindo para o conceito de Platform Engineering.
4) Sigo cético com o Metaverso e os fiascos recentes me parecem mostrar que não tem demanda nem utilidade real para ser uma "prioridade estratégica". Mesmo esse horizonte de tempo de 1 a 2 anos dado no início do ano já era claramente otimista e hype demais.
A realidade vai se impondo e não creio que vai render algo nesse tema em alguns bons anos.
5) Sustainable IT parece estar crescendo a cada dia, acho que em decorrência das próprias questões de ESG.
Esse tema deve mesmo ganhar relevância no dia a dia e vale ficar atento para as implicações diretas e indiretas em IT.
Confesso que eu imaginava que essa questão viria com mais força, mas presumo que por conta das questões geopolíticas recentes, foi deixada em segundo plano por enquanto.
Recebi essa imagem como uma piada e achei excelente, pois faz muito sentido!

É incrível como realmente cada rede social acabou por buscar seu espaço.
E nessa busca acabaram por serem capazes de criar seus diferenciais de mercado e buscaram foco claro em seus respectivos segmentos.
Tudo bem que existem suas sobreposições e a concorrência constante entre elas, eventualmente com alguma lançando funcionalidades que copiam alguma outra rede social, mas de forma mais ampla, cada qual busca seu lugar ao sol.
Interessante também considerar que acabou por se criar "regras de conduta" ou mesmo uma certa "etiqueta" de cada rede social.
E essas regras não são escritas nem sistemicamente impostas, as pessoas é quem se "autorregulam" por assim dizer.
É como se fosse o lado comportamental e cultural da transformação digital que todos nós estamos vivendo.
Vale acompanhar como se darão as mudanças daqui para frente, com redes crescendo, outras morrendo e outras surgindo.
Creio que se trata de algo para o qual não temos registro histórico de experiências análogas anteriores que nos permitam fazer projeções. É um mundo totalmente novo e inédito.
Sempre gostei desses reportes de tendências e expectativas para os próximos anos.
Adoro acompanhar o que se vislumbra para o futuro de curto, médio e longo prazo.
Assim como comparar o que é apontado hoje como futuro versus as previsões passadas, para ver o que de fato se realizou e o que ficou pelo caminho apenas como hype e buzzwords.
E dentre alguns dos melhores materiais desse tipo, temos os que a Accenture gera de forma recorrente, como esse aqui:
https://www.accenture.com/us-en/insights/technology/technology-trends-2023
O ano já está terminando, portanto, já dá para ter uma boa medida do que fez sentido e se realizou, assim como o que seguiu por outros caminhos diferentes dos previstos.
Nesse caso, creio que foi muito preciso, dentro de uma visão bastante clara e estruturada, de uma forma que você consegue aterrizar os temas em termos práticos do dia a dia:
Ou seja, muito sobre conceitos que já são realidade e claramente seguirão se desenvolvendo nessa nossa jornada de transformação digital, porém com uma boa dose de tecnologia do "mundo real", que também tem avançado muito.
E para quem também gosta de acompanhar a evolução das previsões ao longo dos anos, esse reporte traz a facilidade de já apontar nele mesmo quais eram as dos últimos anos, e como elas se relacionam ou evoluíram para as quatro trends atuais.
E como eu não poderia deixar passar a oportunidade: vemos aqui mais uma grande consultoria que deixou de apontar o metaverso como trend (finalmente!).
Fecho destacando algo que costumo comentar nos meus posts: a quantidade de conteúdo disponibilizado de forma gratuita.
Somos privilegiados por vivermos em uma era onde diversos avanços tecnológicos e sociais convergiram para uma realidade onde é incrível a quantidade de conteúdo rico, inteligente e de qualidade disponibilizado livremente.
E os meios e ferramentas necessários para usufruir disso estão ao alcance de cada vez mais pessoas que podem assim aprimorar e evoluir seus mais diversos skills.
Creio eu que isso vale tanto aqui para o Brasil quanto para boa parte do mundo, abrangendo a maioria da população, afinal, basta ter algum dispositivo com acesso à internet, seja um computador ou mesmo um smartphone!
Tudo bem que uma boa parte desse conteúdo muitas vezes é "vanilla" ou genérico, de forma que para que ser efetivamente útil e aplicável em um caso concreto precisa ser analisado sob uma ótica de visão crítica sobre o que faz ou não sentido dentro do contexto de cada organização.
Mas ainda assim, vale a pena como "quick start" ou mesmo para se manter atualizado e saber que os conceitos existem e como eles têm evoluído ao longo do tempo.
O desafio é ter o tempo, o foco e a dedicação necessários para ler, absorver e aprender, algo que depende da disciplina e vontade de cada um.
Esse artigo é para aqueles que enxergam a importância da Cultura Corporativa (e para aqueles que ainda precisam de um empurrão nesse sentido)!

Concordo plenamente com o Vagner Sandoval, que mandou muito bem nessa aqui!
Na minha humilde opinião, acrescento que a micro gestão acaba sendo uma das principais causas de se criar uma cultura de "dependência", e consequentemente, de "insegurança".
Na verdade, acho que merece uma análise mais aprofundada para se definir melhor quem é a "causa" e quem é o "efeito" nesse tema, mas não vou entrar nesse mérito agora, pois não caberia em um único post.
O que destaco é que, por mais incrível que possa ser nos dias de hoje, muitas vezes não se considera o quão relevante e impactante a cultura pode ser para o sucesso ou fracasso da organização.
Me surpreende muito o quanto esse tema de cultura organizacional segue sendo pouco abordado, mensurado e mesmo gerenciado.
Em muitas empresas ainda é tratado como um tema secundário, não essencial, ou até mesmo como algo meramente "etéreo", mesmo com tantos estudos mostrando o impacto gerais.
Para quem tiver interesse deixo a dica para o livro "Culture Code" do Daniel Coyle.
Esse é um dos meus livros favoritos entre todos, e certamente é o que eu mais gosto nesse tema de cultura.
Mas voltando às frases desse post, acredito que uma cultura de insegurança gera uma organização travada, insegura, cheia de desconfiança entre todos, sem protagonismo, sem "dor de dono", com medo de errar, sem coragem para tentar o novo, orientada ao controle pelo controle.
Um lugar onde se buscam culpados e não soluções e caminhos para a evolução. Consequentemente, se torna um lugar sem inovação.
No cômputo geral do médio e longo prazo, se transforma em uma organização pouco agradável para se trabalhar, pois se cria um círculo vicioso onde acabam ficando apenas as pessoas que cedem ao medo e insegurança.
Isso por que essas pessoas que vão ficando inevitavelmente, por conta da sua própria natureza, acabam por fortalecer e perpetuar essa cultura.
Tentando estruturar em uma visão de dualidade de ideias, eu chamaria de um mindset "To Live, Challenge & Grow" versus "To Survive, Obey & Sustain":
Cito com muita frequência que a cultura corporativa é um ativo essencial, um ingrediente chave para qualquer organização obter sucesso de forma sustentável.
E cultura não se compra nem se copia. Ainda não criaram subscrição de "Culture as a Service".
Cultura se cria e se cultiva, a partir da liderança pelo exemplo, que vai mostrando o caminho de quais os comportamentos esperados para que a cultura desejada passe a ser a realidade na organização.
É a indústria financeira mostrando a sua força aqui no mercado brasileiro!

Defendo já há algum tempo que os bancos, e a indústria financeira de uma forma mais ampla, se destacam MUITO no aspecto de tecnologia dentro do nosso país.
É, muito provavelmente, o setor que mais investe por aqui, e os resultados podem ser vistos e percebidos por qualquer um que consome seus serviços via canais digitais ou físicos, ou mesmo quem costuma assistir aos eventos da área.
E parece que esse investimento todo tem o seu retorno, seja nos resultados financeiros (que mesmo quando são "ruins" ainda assim causam inveja), seja no próprio reconhecimento por parte do público consumidor!
Achei bem interessante ver esse ranking atualizado aqui para o Brasil nessa matéria da StartSe:
https://www.startse.com/artigos/marcas-brasileiras-mais-valiosas-2023/
Segundo ela, 60% das marcas do ranking são de serviços financeiros (embora pela tabela não fique claro como chegar nesse percentual), o que me parece ser uma representatividade bem expressiva.
É legal ver marcas mais "recentes" como NuBank, XP e PagSeguro já se posicionando tão bem no ranking.
Também não entendi a razão da Claro ser considerada na lista como "marca nacional" dado que ela pertence a um grupo mexicano e creio que ela é utilizada em diversos outros países além daqui (só se for por ela eventualmente ter sido criada aqui e esse for o critério).
Mas olhando a lista como um todo, não me surpreende os integrantes do ranking quando vejo o volume de propaganda dos líderes na mídia.
Fica bem claro que não é nada barato criar uma marca valiosa no Brasil, ainda mais no mundo como um todo.
E falando em mundo, outro aspecto que me chama a atenção é a diferença de perfil das marcas mais valiosas daqui versus os rankings globais ou americano.
Por lá as big techs, montadoras de automóveis e gigantes dos eletrônicos são em média mais bem posicionadas do que a indústria financeira.
Aqui o Top 25 da própria Interbrand no âmbito global (o único banco está apenas lá na posição 24):
1 – Apple: $482 billion
2 – Microsoft: $278 billion
3 – Amazon: $274 billion
4 – Google: $251 billion
5 – Samsung: $87 billion
6 – Toyota: $59 billion
7 – Coca-Cola: $57 billion
8 – Mercedes-Benz: $56 billion
9 – Disney: $50 billion
10 – Nike: $50 billion
11 – McDonald's: $49 billion
12 – Tesla: $48 billion
13 – BMW: $46 billion
14 – Louis Vuitton: $45 billion
15 – Cisco: $41 billion
16 – Instagram: $37 billion
17 – Facebook: $35 billion
18 – IBM: $34 billion
19 – Intel: $33 billion
20 – SAP: $31 billion
21 – Adobe: $31 billion
22 – Chanel: $29 billion
23 – Hermès: $27 billion
24 – J.P. Morgan: $24 billion
25 – YouTube: $24 billion
Quais outros países será que possuem o mesmo perfil que o Brasil, com empresas de financial services tão bem-posicionadas no ranking?
O advento da Cloud trouxe impactos e mudanças apenas sob a ótica "técnica" em IT?
Vai ficando cada dia mais claro que definitivamente não. A mudança de paradigma pode ser tal, que os impactos vão muito além das aplicações e soluções em si.
Especialmente para as empresas que buscam capturar o máximo possível de valor, fazendo uso dos benefícios potenciais que a Cloud trás.
Aqui uma matéria bem legal da CIO Online falando de mudanças inclusive na estrutura organizacional de IT, com vários exemplos reais:
https://www.cio.com/article/463595/transforming-it-for-cloud-success.html
Reitero apenas um adendo que costumo fazer com frequência, baseado na minha experiência pessoal: vale adotar uma visão mais ampla, revendo e evoluindo periodicamente não apenas a estrutura organizacional, mas sim o Modelo Operacional como um todo.
Sou um apaixonado pelo tema e defendo há tempos que metade da guerra está ganha quando temos um modelo operacional vencedor.
E quando digo modelo operacional, me refiro à visão completa e abrangente do tema, contemplando diversos fatores que se relacionam com, mas extrapolam, a estrutura organizacional.
Ou seja, a forma como sua empresa está organizacionalmente estruturada, como executa seus processos, como atribui o accountability e a responsabilidade sobre as atividades, como toma decisões, como prioriza, como mensura e governa sua evolução e resultados. Tudo isso constituí seu "Modelo Operacional".
E essa é a beleza do tema de Modelo Operacional: não existe um modelo padrão que represente o "certo", mas sim o modelo mais adequado para um dado contexto.
Cada organização possui o seu próprio contexto e suas próprias necessidades para a definição do modelo que faz mais sentido em cada caso. Contextos diferentes demandam modelos operacionais igualmente diferentes.
E dentro dessa realidade, só se reforça o fato de que não existe um modelo único "one size fits all" que se possa comprar "pronto de prateleira".
Criar e implementar um modelo operacional é algo feito à medida, com um certo grau de análise "artesanal", mas só que fortemente baseado em técnica, metodologia e ciência!
Para tangibilizar um pouco a questão, reaproveito aqui uma lista não exaustiva de tópicos que deveriam ser embutidos nessa discussão:
Quem nunca participou de algum projeto que falhou ao longo da sua carreira?
Se tiver vergonha de falar, pode responder na linha do "eu não, mas conheço alguém que participou".
E enquanto "falhar" a definição mais aceita hoje em dia é algo como "não atingir com algum dos objetivos ou premissas originais".
As estatísticas mostram que a maioria massiva dos projetos apresentam algum desvio entre o planejado e o realizado.
Os números variam muito de acordo com a fonte, mas ficam entre 30 e 60% do total de projetos de IT não conseguem atingir seus objetivos ou ficam fora do orçamento e do cronograma originais.
Ou seja, se por acaso respondeu "sim" em ter participado de algum que falhou, não se sinta "privilegiado" (ironia), pois dado que cada pessoa participa de diversos projetos ao longo da vida, e tantos deles "falham", o estanho seria não fazer parte de nenhum que tenha falhado.
Me parece saudável buscar alternativas modernas fazendo uso de recursos, processos, metodologias e tecnologias mais atuais para buscar mudar essa realidade.
Mas "calçando as sandálias da humildade", fico pensando e sou obrigado a reconhecer que muito provavelmente várias gerações passadas provavelmente pensaram da mesma forma ao longo da história em tecnologia.
Imagino nossos "antepassados" super entusiasmados com as tecnologias e avanços de cada época:
"Olha só, inventaram essa metodologia nova chamada Waterfall", agora os projetos não têm mais como falhar!"
"Esse tal de Excel pode ser bem útil para controlar as atividades. Agora eu acho que não tem mais como dar errado!"
"Agora que temos o Project detalhando cada atividade, cada recurso e o relacionamento entre eles não existe chances de atrasos ou surpresas!!
Mas, a realidade se fez inevitável e no final os resultados não foram muito convincentes, pois me parece que a quantidade de falhas segue alta até hoje.
De qualquer forma, vale manter o otimismo e seguir lutando e acreditando que podemos fazer diferente!
Vale ler a matéria da CIO Online sobre algumas das causas das falhas:
https://www.cio.com/article/230427/why-it-projects-still-fail.html
Apesar do percentual de projetos que falham seguir alto, pelo menos os impactos das falhas parecem ser menores, justamente pela mudança de paradigma que o mundo Agile trouxe. Usando uma frase da própria matéria:
"In other words, IT project failure now is more about missed marks than technological disasters."
E eu concordo. Minha percepção é a de que os "fracassos retumbantes" são bem menores do que já foram no passado.
O fato de se fatiar as entregas tem essa "vantagem colateral".
Entendo que o propósito original desse fatiamento é a possibilidade de antecipar os benefícios. Mesmo que não se tenha todas as funcionalidades, ao menos já se pode capturar o valor daquelas mais importantes (quando cabível).
E ao mesmo tempo, é possível antecipar muitos dos problemas de definição, estimativas otimistas demais, e por aí vai.