Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que o Pix "pegou", acho que agora não deve ter mais: 29% de participação de mercado em 2022!

Vide matéria da StartSe:

https://www.startse.com/artigos/pix-bate-recorde-relacao-consumidores/

Considerando que o Pix foi lançado em nov/2020, pode-se dizer que ele assumiu a liderança já no seu segundo ano cheio. O segundo colocado, Cartão de Crédito, ficou com 20%.

Eu acho isso incrível e me pergunto como é possível que uma demanda latente tão grande tenha ficado dormente por tantos anos sem ser explorada antes pelos próprios bancos?

Considerando esse nível de adoção, assim como o quanto mais o Pix deve crescer com as novidades que têm surgido (Pix Crédito, Pix Offline, Pix Internacional, Pix Parcelado, pix a prazo, etc.), qual será que o patamar de teto?

Uma outra matéria apontou a América Latina na vanguarda da adoção do que é chamado A2A ("Accout To Account"), que é onde o Pix se enquadra.

Pela pesquisa não existe outra geografia em que esse tipo de meio de pagamento seja tão adotado quanto aqui. Quem diria que veríamos a América Latina na vanguarda em um tema financeiro?

Ultimamente se falou muito sobre outros países, inclusive os EUA adotarem suas soluções análogas.

Mas não sei se nesses países onde o Cartão de Crédito já é tão disseminado, mecanismos os como o Pix farão tanto sucesso quanto por aqui, até por questões históricas e culturais.

O padrão de consumo aqui tinha o débito, cheque e boleto, conceitualmente mais próximos do Pix Débito).

Lá fora (ainda usando como exemplo os EUA) o acesso aos cartões de crédito é facilitado e a fatia de mercado predominante já há muito tempo.

Mas vale considerar que o tamanho do "bolo" dos meios de pagamento eletrônico como um todo segue crescendo a cada ano, como um reporte recente da Abecs apontou.

Os números de pagamentos com cartões também cresceram e batem com a minha percepção pessoal de que cada vez mais gente tem adotado o contactless, (pagamento por aproximação).

Acho que a popularização de smartphones e smartwatches com esse recurso, assim como a própria praticidade de não precisar carregar a carteira, explicam esse aumento de quase 200% nessa modalidade.

Por fim, hoje em dia quando eu comparo o "Pix" com o "Crédito" sob a ótica de cliente/consumidor, me parece cada vez maior o nível de competição entre ambos:

– Pix: cada vez mais lojas oferecendo descontos para pagamento com Pix (é bem normal descontos de 5% ou mais). Segundo uma matéria que vi ontem, a oferta do Pix nos grandes sites de e-commerce chegou em 100% e igualou o Crédito. Além de ser contactless "by design".

– Crédito: benefício intrínseco de você só pagar depois (embora o Pix Crédito deve igualar isso), além dos pontos em milhagem, salas de espera em aeroportos, seguro-viagem e eventuais outros benefícios (como cashback).

Já não é tão simples fazer uma conta objetiva na ponta do lápis comparando os dois e talvez a resposta varie de acordo com o que se vai comprar!

Como será o futuro do trabalho e das carreiras em IT?

Gostei dessa matéria da CIO Online, que busca prever a realidade em um prazo relativamente curto (5 anos):

https://www.cio.com/article/220254/what-an-it-career-will-look-like-in-5-years.html

E de fato, acho difícil prever como será daqui uma década, pois a tecnologia e a sociedade estão mudando e evoluindo de forma exponencial!

Pela matéria, 4 grandes características do futuro dentro de IT (que me parecem realidade já hoje em dia):

  1. Automatização de atividades repetitivas e foco na produtividade geral.
  2. AI como um enabler aumentando o valor das atividades realizadas pelos humanos.
  3. Staffing baseado em skills e maior dinamismo no modelo de sourcing (e nas próprias relações trabalhistas).
  4. Normalização e expansão modelo remoto para as atividades que fizerem sentido (inclusive como critério de sourcing).

E quando se pensa na jornada de milênios da humanidade até aqui, quantas profissões já surgiram e morreram ao longo da evolução da sociedade?

Lembro de ter visto algum vídeo no YouTube há algum tempo justamente citando profissões extintas que hoje parecem no mínimo curiosas, como "despertador humano" (pessoas que batiam na sua porta em um horário previamente acordado para te acordar – pois não existia despertador), ou então "acendedor e apagador" de iluminação pública (afinal, as iluminações em postes era a vela ou a gás).

Já em IT mais especificamente, não cheguei a pegar essa época, mas não falta literatura comentando como o processo de desenvolvimento de soluções envolvia diversos papéis (e profissões) específicas como programador, digitador e perfurador de cartão!

Veio a evolução tecnológica e o programador passou a fazer tudo diretamente no computador.

Nota importante: diferentemente do que se imaginou, esse avanço não trouxe uma redução da quantidade total de vagas, muito pelo contrário, tenho certeza de que hoje temos muito mais programadores do que no passado.

O que mudou foi a capacitação esperada dos profissionais, pois hoje se demanda um espectro mais amplo de competências.

E não tinha como ser diferente: as expectativas e o modo de trabalhar dentro de IT também mudaram, afinal, IT não é uma ilha, mas sim parte do todo!

Tudo bem que hoje a diversidade de competências por conta do tamanho enorme do stack tecnológico é tão grande que pessoas "full stack" são cada vez mais um desejo, não uma realidade (mas isso é assunto para outro post).

Agora com a evolução (ou revolução) do AI, novos papéis e profissões surgirão e provavelmente outras serão extintas.

Até mesmo algo que até pouco tempo atrás era citado como uma piada, o "Prompt Engineer" é visto hoje como uma "profissão do futuro"!

Especificamente nesse caso, eu chuto que deixará de ser uma "profissão" bem rapidamente e passará a ser apenas mais um skill esperado para diversas outras profissões!

Enfim, sou otimista e acredito que as mudanças estão acontecendo para melhor!

Qual será o futuro do outsourcing em IT?

Li esses dias essa matéria da CIO sobre ambientes multivendor:

https://www.cio.com/article/465212/4-hard-truths-of-multivendor-outsourcing.html

Achei os pontos válidos, mas acabei desviando o pensamento para o próprio "Outsourcing" em si, sob uma ótica estratégica.

O outsourcing varia de "intensidade" de acordo com o tipo de skill ou competência em IT.

Para algumas competências o outsourcing é "no brainer", já para outras, dada a criticidade em termos de segurança ou diferenciação dos negócios, recursos internos são mais usuais.

No ciclo de desenvolvimento de SW, onde há o maior volume de recursos humanos, é muito improvável que se tenha todas as pessoas internamente (considerando skills e capacity), especialmente nas grandes empresas com o outsourcing sendo bem usual, nas suas diversas variações.

Há uns 10 ou 15 anos atrás houve uma era de grandes contratos de BPO, onde áreas inteiras de desenvolvimento eram geridas externamente.

Um pouco antes disso, a solução mais comum era o uso de fábricas de SW, com foco principal nas etapas de codificação e teste unitário.

Sempre tivemos também os projetos fechados em waterfall, onde era gerada a "especificação" e daí para frente o que acontecia por trás das cortinas era problema da contratada.

Os timelines eram de meses ou anos para as entregas e havia uma boa margem de manobra para solucionar os eventuais gaps de skills e capacity.

Mas com a adoção massiva do Agile muita coisa mudou. O timeline passou a ser de dias e semanas e a margem de manobra ficou muito menor.

O padrão passou a ser times alocados em full time e a se ter uma "capacidade instalada" padrão com os skills usuais nessas "squads".

Mudou também a forma de lidar com os sistemas e serviços, com uma visão de "produto", o que reforçou a necessidade de times perenes cuidando e evoluindo os sistemas.

Com isso mudou a proporção média de "funcionários X terceiros". Na bancária acho realista pensar que se saiu de algo na casa de 20-50% para algo entre 40-70% de funcionários.

Soma-se a isso a onda de transformação digital, que aumentou a atração e retenção de talentos internos.

Mas mesmo com o aumento dos funcionários, ainda assim se manteve a necessidade de contar com parceiros confiáveis na complementação das equipes.

Além de alguns projetos (mesmo que em um volume menor) para os quais se manteve o sourcing externo.

Agora olhando para o futuro, fico pensando sobre como serão as coisas.

Dado o caráter pendular da história e o fato de que nos últimos meses têm se falado e buscado cada vez mais a "eficiência operacional", e o prognóstico econômico global leva a crer que será ainda mais importante nos próximos anos.

Não descarto alguma revisão na proporção de funcionários e terceiros e um consequentemente aumento da necessidade de se criar e manter parcerias com provedores de serviços, ou mesmo uma retomada de projetos fechados, ainda que atualizados para o mundo Agile.

Sou adepto do conceito e busco fomentar ao máximo o tal do "Intraempreendedorismo" nas equipes em que trabalho!

Quantas grandes ideias eu já vi se tornarem realidade e alcançarem sucesso a partir disso.

(Apenas fazendo um parêntese, só acho que podia ser criado algum nome mais curto para isso!)

Aqui uma matéria legal da StartSe sobre o tema (inclusive com alguns exemplos reais bem interessantes):

https://www.startse.com/artigos/o-que-e-e-porque-e-importante-o-intraempreendedorismo/

Em primeiro lugar, entendo que depende fortemente de que cada indivíduo exponha suas ideias, afinal, o empreendedorismo é resultado direto da atitude e ação das pessoas.

Mas tão ou mais importante é que exista nas organizações uma cultura aberta às ideias, além da existência de canais para os fluxos dessas ideias e todos os mecanismos que permitam transformá-las em realidade.

Nada muito diferente daquele famoso livro "De onde veem as boas ideias", a grande sacada da inovação está em criar mecanismos que promovam a exposição, colisão, agregação e lapidação das ideias!

Cada dia se fala mais e mais sobre "ser Digital" e eu entendo que uma das características mais marcantes das organizações digitais é justamente a sua capacidade de maximizar a monetização dos seus ativos!

Aqui vale a ponderação de nos últimos anos se viu uma distorção do mercado em que muitas empresas simplesmente não se preocupavam com resultados, mas sim em apenas aumentar sua base de usuários e aumentar seu valuation com a projeção futura. Mas isso parece estar mudando com a virada do mercado e o preço do dinheiro.

De qualquer forma, as empresas que têm se destacado (inclusive em resultados) mostram uma visão fora da caixa quanto as opções de monetização, explorando fortalezas da sua cadeia de valor.

Dessa visão intraempreendedora mais "radical", eventualmente até criam spin-offs de partes da sua cadeia de valor, oferecendo serviços a partir de ativos internos com valor diferenciado.

Em outros casos, menos extremos, o intraempreendedorismo se dá na forma de diferenciação e evolução de produtos e serviços, como os exemplos da matéria.

Li recentemente sobre um caso nesse sentido do Uber, que passou muitos anos dando prejuízo, mas agora parece estar em uma curva positiva e um dos pontos de maior otimismo é o de se tornar um "gigante da propaganda", seja a partir da exploração do app, seja no próprio carro ao longo da viagem.

Mas eu gosto de pensar que na sua essência, o espírito do intraempreendedorismo funciona também para a evolução e a transformação de processos "internos", inclusive dentro do nosso mundo de IT.

Ou seja, faz todo o sentido promover esse mindset nos times em um espectro muito mais amplo de temas e processos do que "apenas" aqueles relacionados diretamente ao produto ou serviço diretamente percebido pelos clientes finais.

E para isso, acredito que tem tudo a ver com a adoção dos conceitos e da dinâmica da "Cultura de Inovação".

Em um mundo cada dia mais digital, nada mais natural do que se dar a atenção proporcional para Cybersecurity.

Eu compartilho com frequência artigos dessa série "What is?" da McKinsey, e aqui vai mais um, dessa vez sobre Cyber:

https://www.mckinsey.com/featured-insights/mckinsey-explainers/what-is-cybersecurity#/

Para muitos os artigos podem ser básicos demais, mas para boa parte do público ajuda a ter uma visão ao menos panorâmica sobre cada tema tratado.

Esse artigo em específico me levou a refletir em três direções:

1) – O aspecto regulatório que já está em andamento no EUA. Linkaram na matéria com o aspecto da GPDR da Europa, mas tenho dúvidas se essas regulações americanas (pelo visto lá existe muita coisa específica por cada estado) são "apenas" nessa linha de dados.

Se for, creio que já estamos no caminho por aqui a partir da LGPD, mas se forem aspectos diferentes, possivelmente em algum futuro próximo teremos outras regulações de segurança a serem importadas para cá.

2) – O tamanho potencial do buraco negro que são as perdas por issues de cyber. Estão falando de algo na casa de USD 10,5 trilhões ao ano por volta de 2025 (que está logo ai).

Em um primeiro impulso eu até pensei que poderia ser uma hype na linha do Metaverso, mas na mesma matéria colocam que essa cifra seria um aumento na ordem de 300% versus os números de 2015, o que me parece ser, ao menos em grandes números, algo plausível, pois (infelizmente) nessa corrida de gatos e ratos, os ratos têm sido cada vez mais espertos.

E eu não cheguei a ler nada a respeito ainda, mas acho que seria natural esperar que os avanços tecnológicos atuais deverão trazer novas e melhores ferramentas para ambos os lados.

O que será que pode representar o poder da AI, Cloud, conectividade 6G ou até mesmo Quantum Computing sendo usados para o crime?

Acho que é legítimo pensar que podem no mínimo representar todo um novo mundo de oportunidades a serem exploradas, por ambos os lados, seja para atacar, seja para defender.

3) – E por fim, acho que vale analisar sob a perspectiva do mercado de trabalho. Muito se falar sobre inúmeras oportunidades em Data Analytics e agora mais fortemente em AI, e com toda a razão, afinal são temas com ainda muito espaço para crescer.

Mas uma área que acaba muitas vezes não recebendo o mesmo destaque (será que é por ser menos "fancy"?) é justamente Cybersecurity. E considerando o exposto no artigo, tem tudo para ser (e provavelmente já é) uma área cheia de oportunidades.

Tenho a impressão (embora sem base em números, é só percepção mesmo) que os canais e mecanismos de formação são menores (ou divulgados em menor escala) que os outros temas com mais hype em IT.

Para quem busca um espaço em IT, vale avaliar essa área, muito embora, fica igualmente minha percepção de que aqui a régua é mais alta e é preciso já ter algum nível mínimo de conhecimento técnico para buscar então esse tipo de especialização.

O quão importante é a QUALIDADE para IT?

Aqui é preciso relembrar o óbvio: a Qualidade não deve ser uma preocupação apenas do QA, mas sim de todos os envolvidos (dentro e fora da squad) e não apenas no processo de desenvolvimento.

E isso imediatamente me faz lembrar de dois líderes marcantes na minha trajetória profissional.

O primeiro, da época de Consultoria, me ajudou a entender a definição do conceito: "Qualidade é valor para o stakeholder", uma perspectiva que me parece bem acertada.

E diferentes stakeholders têm diferentes percepções do que agrega valor, o que abre vários requisitos a serem considerados.

E aí vem algo que comento frequentemente, entregar valor não se resume apenas às funcionalidades de negócio.

Escalabilidade, Disponibilidade, Performance, Manutenibilidade e Segurança também são atributos de valor.

Isso leva diretamente à necessidade de não se focar apenas na sprint, mas também na saúde arquitetônica no longo prazo, o que pode ser traduzido por "qualidade arquitetônica".

O segundo líder, já no mundo de Bancos, sempre fazia questão de frisar, destacar, publicar e comunicar em quase que toda e qualquer ocasião a diretriz base: "A primeira prioridade é QUALIDADE, depois falamos de prazo e custo".

Hoje, olhando em retrospectiva, acho que eu e muitas pessoas não davam na ocasião o valor adequado àquela "pérola de sabedoria".

Na verdade, eu acho que não entendíamos a profundidade contida em algo que à primeira vista parecia tão simples, mas que com o passar do tempo, vivendo na pele os reflexos daquilo, fomos entendendo o quão lógico e pragmático é priorizar a qualidade.

Produtos, serviços e processos sem qualidade fatalmente levam ao retrabalho, o que por sua vez traz mais custos e perda de tempo (que também se traduz em custos), fora o potencial risco de imagem.

Soma-se a isso a quase impossibilidade de se focar em outros temas mais estratégicos enquanto o seu dia a dia está tomado apagando incêndios, geralmente causados por baixa qualidade.

E como é difícil incutir esse valor base no mindset das pessoas e equipes. É necessária uma verdadeira transformação cultural, abrindo espaço para uma transformação de processos.

E essa transformação precisa abarcar a todos: Devs, QAs, Arquitetos, SMs, POs, Líderes, assim como os demais atores fora de IT, pois nem sempre é claro de forma ampla o quão ilusório é focar apenas no prazo.

Por fim, também se faz necessário criar mecanismos e aceleradores que promovam a Produtividade, afinal, qualidade é um fator "necessário", mas não "suficiente".

Para quem gosta do tema, recomendo essa matéria da InfoWorld:

https://www.infoworld.com/article/3691011/developers-unite-join-the-fight-for-code-quality.html

Como foi muito bem apontado: "Advocating for quality code isn't always easy, because management doesn't always care. But it's the only way to build good things that deliver on their promise."

Por um mundo com mais discussões maduras assim!

Enquanto consumidor, sou usuário fiel do WhatsApp há muitos anos e acho incrível o quanto ele conseguiu se inserir na vida digital de quase todo mundo.

Na verdade, eu creio que não conheço ninguém com quem interajo no dia a dia que não utilize o WhatsApp. Independente da faixa etária, classe social ou região geográfica.

Ouço falar que nos EUA ele não é tão comum por conta da parcela de mercado que o iMessage tem por lá, que imagino ser um caso isolado versus o resto do mundo (assim como a China, com o WeChat), considerando que o Android fechou o ano passado com mais de 70% do mercado mobile.

E ainda enquanto consumidor, é muito legal ver que eles seguem melhorando e evoluindo. Aqui uma lista de várias evoluções recentes, segundo a StartSe:

https://www.startse.com/artigos/nova-funcao-seguranca-whatsapp/

Não está na lista, mas uma que pessoalmente achei sensacional (embora demorou muito) foi quando finalmente liberaram o uso de mais de um device (por exemplo um celular e um tablet) com a mesma conta do WhatsApp.

Agora o que me surpreende mesmo é a percepção de que até hoje não foi devidamente "harmonizada" a relação do uso do WhatsApp entre os mundos consumer e enterprise.

Apesar do uso massivo tanto na vida pessoal quanto na vida profissional, ainda é algo geralmente "combatido" e "bloqueado" no mundo corporativo.

Acho que já está mais do que na hora desse tema ser encarado e endereçado, obviamente considerando a visão integral dos aspectos de segurança, confidencialidade, vazamento de dados e afins, que são temas (justificadamente) muito sensíveis no mundo enterprise.

Não sei dizer qual é o tamanho do desafio técnico e arquitetural, mas acho que a Meta teria a chance de conquistar um espaço gigantesco no mundo enterprise se os temores corporativos fossem endereçados.

A preferência e capilaridade por parte dos usuários eles certamente já conquistaram. Basta olhar para o lado e perceber que enquanto plataforma de comunicação, a linha telefônica de celular em uma parcela que presumo ser bem considerável da população, é apenas a "infraestrutura de dados" para se utilizar o WhatsApp. Mais ou menos como aquela piada de o "Internet Explorer só servir para baixar e instalar o Chrome"

Já sob a ótica comercial, por exemplo em banking, lembro de ter visto muitas preocupações com o WhatsApp quanto ao risco de ele comoditizar ou mesmo ganhar o controle direto da usabilidade e do canal de interação direta com o cliente em si. São questões que tem lá o seu fundamento e merecem ser devidamente avaliadas por cada organização.

Mas por outro lado: o apelo, a facilidade e alcance (creio que único) de BILHÕES de usuários que fazem uso diário e intensivo do WhatsApp na sua vida cotidiana simplesmente não tem como ser ignorado. Várias empresas (inclusive outros gigantes digitais) parecem se conscientizar disso.

Vamos ver como segue e se teremos nesse segmento alguma movimentação na linha de soberania/proteção de mercados como hoje se vê de Cloud e AI.

Como é difícil ser assim "simples, fácil e objetivo" no nosso mundo dos "pobres mortais"!

As big techs fazem parecer muito fácil alcançar a famosa "elegância a partir da simplicidade".

Mas quando vamos criar nossas jornadas percebemos o quão complexo é alcançar isso, especialmente quando se têm plataformas legadas.

E sejamos honestos, essa é uma realidade de quase todas grandes empresas, falo pelo menos posso falar com alguma propriedade sobre serviços financeiros, onde muitos front-ends e canais e respectivos muitos dos processos ou funcionalidades geralmente já existem há algum tempo.

E quando foram criadas levavam em conta uma determinada realidade com diversos tipos de "requisitos":

  1. Regras regulatórias
  2. Regras de compliance
  3. Regras de segurança
  4. Regras de riscos
  5. Regras de atribuições. interações e interesses das áreas internas
  6. Regras do produto
  7. Regras de contabilidade
  8. Objetivos de posicionamento de mercado
  9. Características e limitantes técnicos da arquitetura ou dos sistemas e soluções envolvidas no processo
  10. Outros fatores que não me atrevo a lembrar de cabeça!

Vale também considerar que as funcionalidades tendem a ser mais "perenes" que as do mundo digital das big techs, ou seja, podem ter sido criadas há décadas e foram sofrendo evoluções e ajustes ao longo do tempo por conta de mudanças em requisitos em uma ou mais das categorias acima.

Tive a oportunidade de participar de projetos em que se buscou (e depois de muito esforço se conseguiu) transformar funcionalidades legadas. Foi sensacional aprender e testemunhar o poder do "Design Thinking".

Foram experiências muito ricas justamente por transformarem o negócio, muitas vezes com a redução de tempos de execução de cada instância de processo na casa de 90%, a partir da redução na quantidade telas, campos a serem preenchidos e mesmo cliques dos usuários, assim como a automatização de etapas do processo.

Ao mesmo tempo, olhando hoje em perspectiva, era bem engraçado se deparar com diversas situações em que se encontravam determinadas regras que foram criadas em algum momento, mas que por conta dos anos que se passaram, não existia mais documentação nem mesmo qualquer pessoa que tivesse algum histórico da razão de ser das mesmas.

Ou seja, existiam regras implementadas no software que se tornavam verdadeiros "dogmas" processuais e havia todo um trabalho para se convencer as pessoas que não eram mais necessárias.

Na maior parte das vezes se acordava que elas podiam ser alteradas e simplificadas, e então redesenhar o processo de uma nova forma mais fácil, simples e objetiva. Quando tudo funcionava, todos ficavam felizes.

Infelizmente, na linha "a vida como ela é", existiam alguns casos em que as regras possuíam alguma razão de ser que só seria descoberta algumas semanas depois, quando surgia algum desenquadramento contábil ou outro erro não previsto!

Crédito da imagem: Kash Sirinanda

Conversas de "One-on-One": aqui está um tipo de reunião que deveria ter cada vez mais espaço nas agendas!

Hoje em dia conseguir um slot, recorrente e frequente, não é algo fácil, especialmente com tantos assuntos acontecendo ao mesmo tempo.

Ainda assim, é muito importante buscar essa disciplina para manter pontos de contato, alinhamento e sincronismo com o time.

Afinal, quando estamos falando de pessoas, existem alguns temas que merecem esse "investimento" para o desenvolvimento de relacionamento humano e integração com a equipe.

Vários pontos muito úteis nessa matéria da Harvard Business Review:

https://hbr.org/2022/11/make-the-most-of-your-one-on-one-meetings

Agrego algumas dicas sobre uma agenda estruturada (ou pelo menos tentativa de). Sempre na linha de buscar tornar a liderança cada dia mais sênior e madura, dando espaço e delegando para que possam seguir crescendo. Vale também construir essa agenda em conjunto com o time:

  1. O que está indo bem: É uma ótima forma de garantir uma agenda positiva e reconhecer avanços e conquistas. Um ponto que surge frequentemente em pesquisas de IT é a falta de reconhecimento e "celebração", aqui me parece um mecanismo para endereçar isso.
  2. Em quais temas eu posso ajudar: É um bom tópico para incluir os temas que não estão indo tão bem, alinhar pontos de vista e direcionadores estratégicos, além é claro, de prover suporte, orientação e ajuda efetiva para que os objetivos sejam alcançados.
  3. Quais são as prioridades do momento: a vida seria bem mais fácil de as prioridades fossem mais estáveis e previsíveis, mas no mundo real é bem comum que o "alvo seja móvel". Então é importante buscar esse espaço de alinhamento de prioridades.
  4. Quais issues e riscos deveriam estar o radar: nem tudo ocorre sempre como o planejado e imprevistos podem (e infelizmente acabam por) acontecer. Mas verdade seja dita, em grande parte dos casos eles poderiam ter sido identificados de forma antecipada se tivesse sido dada a atenção devida aos pequenos indícios e pistas ao longo do caminho. Vale exercitar essa prática de antecipação.
  5. Criação de rapport: estamos falando de pessoas e trabalho em equipe, então e parece válido buscar criar laços de relacionamento e incluir alguns tópicos pessoais na conversa. Obviamente que a liberdade e abertura para tal varia de pessoa para pessoa e deve-se evitar ultrapassar qualquer linha que possa trazer desconforto, então vale ponderar o bom senso aqui.

Comento já há algum tempo que a "cultura de reuniões" é cada dia mais pesada na maior parte do mundo corporativo.

Mas não tenho nada contra o conceito em si, meu incômodo é usá-lo como se fosse a única ferramenta existente, como aquela máxima "para quem só sabe usar o martelo, todo problema é um prego".

Aqui não é o caso, muito pelo contrário. One-on-One é fazer o melhor uso possível das reuniões enquanto "ferramenta".

AI está por toda a parte, agora como "enhanced by AI". Até mesmo o Mainframe entrou no jogo!

Segundo essa matéria da ComputerWorld serão lançadas várias melhorias na plataforma zOS:

https://www.networkworld.com/article/3688959/ibms-mainframe-operating-system-upgrade-will-embrace-ai.html

Penso que é de se admirar a incrível flexibilidade e adaptabilidade que a plataforma Mainframe vem demonstrando ao longo de quase 60 anos de vida, dessa vez se modernizando para abraçar AI e Cloud.

E da mesma forma, também fico pensando em como seria o mercado e a competitividade entre as plataformas (mainframe versus on-premises versus cloud) em uma realidade paralela em que os custos do mundo Mainframe fossem mais baixos.

Ao longo dessas décadas o Mainframe já encarou diversos desafios e muita concorrência, mas os seus diferenciais de escalabilidade, resiliência e segurança (dentre outros) acabaram por compensar o custo de operação, de forma que tentativas de migração para outras plataformas ou falhavam por não haver paralelo técnico, ou não se mostravam economicamente vantajosas (ou mesmo viáveis).

Mas quando olho a evolução recente do universo Cloud cada vez mais maduro, parece que dessa vez o Mainframe finalmente encontrou um concorrente a altura.

Que o digam cases reais de avanços que vão sendo divulgados aqui mesmo no Brasil pelo Santander e Itaú.

Em paralelo se vê avanços (acho que da própria IBM) em utilizar Gen AI na migração de soluções Cobol para Java. Microsoft e Amazon devem possuir algo análogo. Os ataques de disrupção estão vindo por todos os lados!

Não sei se esse é o "Ragnarok" do Mainframe, mas vale acompanhar os próximos capítulos dessa história nos próximos anos, mas ponderando que trilhar esse caminho de saída não é um passeio no parque

A dificuldade cresce conforme a complexidade da plataforma/arquitetura de aplicações, especialmente nas grandes empresas com muito processamento, muitas aplicações, muitas integrações e acoplamentos profundos entre si desenvolvidos ao longo de muitos anos (as vezes décadas).

Muitas dessas integrações, acoplamentos e suas regras de negócio possivelmente existem sem o conhecimento de mais nenhuma pessoa ou documentação nas organizações (a vida como ela é) e conforme se avança no processo de migração e vai se descobrindo essa complexidade oculta ou desconhecida, a realidade vai se descolando do business case original.

Ao mesmo tempo, qualquer um que coloca workloads na cloud percebe rapidamente que os custos de operação podem sair facilmente de controle se não houver um rígido controle e visão crítica.

E por fim, o nível de serviço, que é para muitas indústrias um fator chave, afinal, não é uma decisão fácil virar a chave e sair de algo que se sabe que está funcionando e com os serviços de pé e ir para algo que muito provavelmente necessitará de algum fine tuning até operar no mesmo nível de disponibilidade e performance (algo natural em migrações assim).

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