Hoje vou falar de um tema que me alegra muito ver ganhar (novamente) destaque no mercado: Carreira em Y!

Adoro esse conceito, que tive o privilégio de acompanhar desde que ingressei no mercado de IT, ainda como consultor, há alguns bons anos atrás.

Conheci empresas onde a carreira em Y sempre foi natural. Creio que por conta da própria natureza da atuação das consultorias, que desde sempre necessitam de especialistas nos mais diversos temas possíveis.

Lembro com carinho e com uma certa dose de nostalgia da áurea de quase "divindades" que algumas pessoas tinham por conta da sua expertise extrema em determinados assuntos.

E então li esse artigo aqui bem interessante da StartSe sobre o tema:

https://www.startse.com/artigos/o-que-e-carreira-em-y/

Ele fala mais sobre Google e Oracle, mas creio que todas as grandes big techs já entenderam (e antes das demais empresas) a importância de se criar caminhos possíveis de crescimento de carreira para pessoas que são absurdamente competentes em temas "técnicos", justamente por serem apaixonadas por aquilo que fazem e buscarem a excelência nisso!

Baseado na minha observação pessoal (e sem qualquer dado estatístico de base), acho que as empresas que já avançaram bastante na sua transformação digital parecem que também já abraçaram essa filosofia.

Muitas vezes se dá destaque apenas para o crescimento enquanto liderança no sentido "gerencial", mas há de se destacar também a necessidade de fortalecer a "liderança técnica". Não é novidade para ninguém que a cada dia o stack tecnológico é maior.

Implementar uma solução requer cada vez mais plataformas distintas, conectando front-end, back-end, dados transacionais, data & analytics, observabilidade, partes on-premises, partes na cloud (eventualmente multi cloud) e agora uma provável extensão para as novas oportunidades de AI.

(E não tenho a menor pretensão de ser "exaustivo" na relação acima, tenho certeza de que tem ainda muito mais para ser considerado).

Não que seja impossível, mas é bem mais difícil alcançar o sucesso apenas com generalistas.

É necessário ter talentos que, como comentei acima, sintam amor pelo que fazem e perseguem a excelência em determinadas tecnologias.

Mas esses profissionais também são pessoas, e possuem ambições e vontade de seguir crescendo, então é improvável mantê-las sem para tanto oferecer opções de carreira que proporcionem o devido reconhecimento e crescimento que elas precisam e merecem.

Já vi muita gente que agregava um alto valor às organizações, mas que acabaram buscando novas oportunidades por conta da ausência de mecanismos de crescimento profissional nas empresas em que atuavam.

Que seja uma disciplina incorporada a cada vez mais organizações. É o tipo de relação "ganha-ganha" para todas as partes!

Costumo destacar que "uma IT não se faz apenas de programadores", por conta da enorme miríade de competências requeridas por IT.

Esse conceito se encaixa perfeitamente aqui!

Uma matéria recente da IdWall sobre um tema super quente na atualidade: criptomoedas nacionais, também conhecidas como CBDCs (Central Bank Digital Currencies), apontando sobre a maior preocupação atual dos usuários, que é a privacidade:

Moedas digitais nacionais: privacidade é maior exigência de cidadãos

Sou da opinião pessoal de que esse fator deveria ser chave para a adoção massiva das CBDCs.

Mas quando penso sob a ótica da educação financeira do brasileiro médio, ou mesmo os hábitos atuais de baixa privacidade nas redes sociais, fico com sérias dúvidas se essa é uma preocupação real de uma parcela tão grande assim como a apontada na matéria (43% do público) também por aqui.

Não sei dizer se nos demais países segue ou não na mesma linha.

Será que as pessoas têm claro os impactos e implicações de termos um maior ou menor nível de privacidade e escrutínio por parte dos reguladores e do Estado sobre os "usuários"?

Pelo menos aqui no Brasil vale lembrar do sucesso inconteste e sem precedentes do Pix. Lembro de ter visto matérias comentando que uma parcela da população se "digitalizou" e bancarizou justamente para passar a ter acesso ao Pix.

Acho que isso leva a crer que a transição e adoção do "Real Digital" (ou seja lá qual for o nome escolhido) tem tudo para ser igualmente fácil, natural e muito rápida.

Nesse sentido, acho que vamos ter a oportunidade de presenciar a convivência no mercado entre dois "produtos" similares, mas com abordagens bem distintas:

  1. Por um lado, a facilidade e interconectividade entre bancos centrais e bancos comerciais, a provável máquina estatal e mídia global jogando a favor das CBDCs nacionais (quiçá regionais e globais).
  2. Por outro lado, a liberdade e desregulamentação (com todos seus prós e contras inerentes) das criptomoedas "open" como o Bitcoin.

 

E digo "convivência" por conta de não ter ainda claro se serão competidores diretos ou se cada qual terá seu mercado e propósito.

Natureza e Origem

Bitcoin: Criado por uma entidade anônima conhecida como Satoshi Nakamoto em 2009, o Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada que funciona em uma blockchain pública. Sua operação e emissão não são controladas por nenhuma autoridade central, governo ou instituição financeira. Essa descentralização é vista como uma vantagem para aqueles que buscam maior liberdade econômica e menor dependência de sistemas financeiros tradicionais.

CBDC: Diferentemente do Bitcoin, uma CBDC é a forma digital da moeda fiduciária de um país, emitida e regulamentada pelo banco central correspondente. Isso significa que as CBDCs são completamente centralizadas e controladas pelo banco central, refletindo as características do dinheiro tradicional em um formato digital.

Emissão e Regulação

Bitcoin: O suprimento de Bitcoin é limitado a 21 milhões de moedas, característica que o torna deflacionário por natureza. Novos bitcoins são criados por meio de um processo chamado mineração, no qual mineradores usam poder computacional para validar transações e adicionar novos blocos à blockchain. A taxa de emissão segue um cronograma pré-definido que se reduz com o tempo, garantindo uma oferta controlada e potencialmente valorização da moeda.

CBDC: Em contraste, a emissão de uma CBDC é totalmente controlada pelo banco central, que tem autoridade para criar e gerenciar a moeda digital. Assim como a moeda fiduciária tradicional, o suprimento de CBDC pode ser ajustado pelo banco central com base em suas políticas monetárias, permitindo uma resposta mais flexível a crises econômicas ou necessidades de estímulo financeiro.

Controle e Regulação

Bitcoin: Funciona em uma rede descentralizada, o que significa que nenhuma entidade única ou autoridade central tem controle sobre suas transações ou governança. Essa descentralização promove uma maior segurança e resistência a pontos únicos de falha.

CBDC: Os bancos centrais têm controle total e supervisão sobre as transações de CBDC. Isso permite que implementem políticas como taxas de juros, controles de capital e regulações financeiras, mas também levanta preocupações sobre privacidade e vigilância estatal.

Privacidade e Anonimato

Bitcoin: As transações de Bitcoin são pseudônimas, associadas a endereços criptográficos em vez de informações pessoais. Embora as identidades dos usuários não estejam diretamente atreladas às suas carteiras, o histórico de transações é gravado em um livro público, a blockchain.

CBDC: As transações de CBDC podem ser projetadas com diferentes graus de privacidade e anonimato. Bancos centrais podem optar por incorporar recursos que permitam privacidade ao usuário, mas também podem implementar medidas de identificação e monitoramento mais rigorosas para fins regulatórios.

Adoção Crescente de Criptomoedas

Nos últimos anos, as criptomoedas, lideradas pelo Bitcoin, têm ganhado aceitação significativa tanto de investidores institucionais quanto de consumidores comuns.

A valorização vertiginosa do Bitcoin e outras moedas como Ethereum despertou o interesse global, com grandes corporações e entidades financeiras tradicionais começando a incorporar criptomoedas como uma classe de ativos legítima.

Além disso, países como El Salvador adotaram o Bitcoin como moeda legal, o que pode ser um indicativo de futuras adoções por outros países com economias emergentes.

Desenvolvimento e Implementação de CBDCs

Paralelamente, diversos bancos centrais ao redor do mundo estão em estágios avançados de pesquisa, desenvolvimento ou mesmo implementação de suas próprias CBDCs.

A China, por exemplo, já iniciou testes públicos do Yuan Digital em várias cidades, estabelecendo-se como pioneira nesse campo.

Outros países, incluindo o Canadá, o Reino Unido, a Suécia e o Brasil, estão explorando ativamente CBDCs como uma maneira de modernizar suas infraestruturas financeiras e responder mais prontamente às crises econômicas.

Blockchain e Transformação Financeira

A tecnologia blockchain, que serve de base tanto para criptomoedas quanto para CBDCs, está sendo vista como um catalisador para a transformação financeira.

Sua capacidade de oferecer transações seguras, transparentes e rápidas promete não apenas eficiência operacional, mas também a possibilidade de criar novos modelos de negócios e serviços financeiros, como financiamentos descentralizados (DeFi) e tokens não fungíveis (NFTs).

Questões de Regulamentação e Compliance

Um dos maiores desafios que acompanham a adoção de criptomoedas e CBDCs é a criação de um ambiente regulatório robusto.

Governos e órgãos reguladores estão esforçando-se para equilibrar a inovação financeira com a proteção ao consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro e estabilidade do sistema financeiro.

Essas questões de regulamentação são cruciais para a aceitação em massa de criptomoedas e para a implementação efetiva de CBDCs.

Convergência entre Criptomoedas e CBDCs

À medida que as CBDCs se desenvolvem, pode-se esperar uma certa convergência de funcionalidades entre criptomoedas descentralizadas e moedas digitais centralizadas.

Esse cenário poderá levar a novas formas de interoperabilidade entre diferentes moedas digitais, possivelmente com CBDCs atuando como pontes em transações internacionais ou entre diferentes blockchains.

Inovação Contínua e Disrupção do Mercado

As expectativas para o futuro próximo incluem contínuas inovações e disrupções do mercado financeiro tradicional.

Isso poderá incluir novos produtos e serviços financeiros baseados em blockchain, maior adoção de pagamentos digitais e transformações nos métodos tradicionais de banking.

Impacto Socioeconômico e Político

A longo prazo, tanto as criptomoedas quanto as CBDCs têm o potencial de remodelar não apenas mercados financeiros, mas também relações socioeconômicas e políticas globais.

A descentralização financeira pode empoderar comunidades desbancarizadas, enquanto as CBDCs podem reforçar a soberania monetária dos estados e a eficácia das políticas monetárias.

Paralelo com o Pix

Se a história servir de alguma forma como exemplos para predizer o futuro, pelo menos aqui no Brasil vale lembrar do sucesso inconteste e sem precedentes do Pix.

Lembro de ter visto matérias comentando que uma parcela da população se "digitalizou" e bancarizou justamente para passar a ter acesso ao Pix.

Acho que isso leva a crer que a transição e adoção do "Real Digital" (ou Drex) tem tudo para ser igualmente fácil, natural e muito rápida.

Nesse sentido, acho que vamos ter a oportunidade de presenciar a convivência no mercado entre dois "produtos" similares, mas com abordagens bem distintas:

Por um lado, a facilidade e interconectividade entre bancos centrais e bancos comerciais, a provável máquina estatal e mídia global jogando a favor das CBDCs nacionais (quiçá regionais e globais).

Por outro lado, a liberdade e desregulamentação (com todos seus prós e contras inerentes) das criptomoedas "open" como o Bitcoin.

E digo "convivência" por conta de não ter ainda claro se serão competidores diretos ou se cada qual terá seu mercado e propósito.

Concluindo

Embora Bitcoin e CBDCs compartilhem a característica de serem moedas digitais, eles apresentam contrastes marcantes em termos de controle, emissão, privacidade e filosofia subjacente.

O Bitcoin oferece uma alternativa descentralizada e menos suscetível à intervenção governamental, enquanto as CBDCs estendem o controle dos bancos centrais ao domínio digital, oferecendo vantagens em termos de regulação e estabilidade monetária, mas possivelmente às custas de menor privacidade e liberdade financeira.

A escolha entre essas moedas dependerá das prioridades individuais e institucionais em relação à autonomia, privacidade, e necessidade de regulamentação.

Em resumo, o desenvolvimento de criptomoedas e CBDCs representa um dos avanços mais significativos na esfera financeira do século XXI.

Enquanto navegamos por essas águas inexploradas, a interação entre inovação tecnológica, regulamentação eficaz e adaptação do mercado ditará a trajetória desse novo paradigma econômico.

As implicações são vastas e os desdobramentos, imprevisíveis, mas uma coisa é certa: a era digital da moeda está apenas começando.

Vamos ver para que lado o mercado e a sociedade se movimentam nos próximos meses e anos!

Como será o dia a dia, especialmente no que tange ao funding das operações, das startups daqui para frente?

Tenho conversado com alguns amigos mais próximos desse mundo e em geral as opiniões convergem para a expectativa de que a demanda por disciplina e eficiência operacional (além da entrega resultados reais e não apenas potenciais) veio para ficar, e por tempo indeterminado!

Como comentei há alguns dias em outro post, acredito que essa última década será estudada no futuro e avaliada por muitos como uma era "irracional".

Assumir o crescimento exponencial "infinito" e desprezar os fundamentos financeiros das operações que seguem o modelo de negócios como startups não parecia ser o mais sensato a se fazer, mas aconteceu ao longo de muitos anos, com o incentivo de investidores, bancos, mídia e assim vai.

Agora, em um momento de maiores restrições de capital, se torna inevitável a pressão por resultados concretos e isso acaba impactando o funcionamento dessas empresas – e as vezes a própria viabilidade delas (vide essa grande onda de layoffs que estamos vivendo).

Nos últimos meses temos vivido um cenário econômico global bem "desafiador", com alta da inflação, movimentação dos blocos geopolíticos e cadeias de produção, que de forma geral, aumentou as taxas de juros em quase todo o mundo.

Teve até uma sequência de bancos quebrando nos EUA e Europa. Nesse sentido vi essa notícia aqui sobre o "salvamento" do SVB no Reino Unido:

HSBC buys Silicon Valley Bank UK to protect startups from fizzling out

Certamente é um alento para o ecossistema de fintechs e startups, especialmente no próprio Reino Unido, mas acho que não deve mudar o novo "normal" de dinheiro caro e muito mais escrutínio por parte dos investidores.

Como alinhar diferentes áreas em torno de uma estratégia comum?

Acho que esse é um desafio bem comum em qualquer organização, seja quando se fala de uma empresa como um todo, ou mesmo uma área específica.

O fato é que temos sempre o fator humano na equação.

E humanos possuem suas ideias, sonhos, objetivos, fazem sua própria interpretação e racionalização da realidade.

Nessa mesma linha, acho que tem aquele conceito que ficou bem famoso com o Team Topologies, a "Conways Law", ou seja, o produto de uma organização tende a refletir a estrutura da própria organização.

Por exemplo, se eu tenho um sistema sendo feito por três times, ele provavelmente terá 3 módulos, se forem 4 times, terá 4 módulos, e assim vai.

Tudo isso reforça a a tese de que para que uma estratégia seja bem sucedida é fundamental que haja o alinhamento de todos envolvidos.

Aqui um artigo que achei muito legal sobre o tema escrito pelo MIT Sloan Management Review:

https://sloanreview.mit.edu/article/strategizing-across-organizations/

O que me chamou a atenção foi a possibilidade de extrapolar o meu universo usual de IT e ver que a discussão sobre alinhar equipes sob a ótica de uma estratégia comum é um desafio de qualquer tipo de organização.

No artigo eles falam sobre "meta organizações", como ONGs e órgãos públicos de saúde, autoridades aéreas de distintos países e assim vai.

Segundo o artigo os grandes pontos para garantir o alinhamento em busca de uma estratégia comum:

  1. Equalizar o significado de "estratégia" e qual é ela em si.
  2. Entender como cada parte contribui para o todo.
  3. Considerar as competências de cada parte e os relacionamentos entre elas
  4. Reforçar o propósito compartilhado entre todas as partes.

Ao ler o texto pode parecer a princípio que se trata de algo filosófico demais ou que não tem nada a ver com a nossa realidade corporativa.

Mas se pensarmos bem, são conceitos que se encaixam também quando falamos das áreas de uma empresa ou das áreas que compõem uma área (as subáreas de IT, por exemplo).

Se você quer que a sua estratégia se torne realidade é fundamental garantir a comunicação, alinhamento e engajamento dos times.

As equipes e pessoas precisam entender qual o propósito, a estratégia, como ela se reflete no dia a dia de cada um e o que esperado de cada um para que os objetivos sejam alcançados e, inclusive, o que significa "sucesso" ao final da jornada (para todos saberem quando conseguiram chegar lá).

Vale a leitura para quem se interessa pela questão de materializar e implementar estratégias!

Gosto bastante dos lanches e frangos do KFC, e sempre achei marcante o logotipo com a imagem de um senhor.

Mas não conhecia a sua história, apenas imaginava que seria o fundador.

E ao saber mais sobre o tema só posso dizer: que história incrível!

Vale ler e se inspirar na resiliência e espírito empreendedor do Coronel Sanders!

Não tinha a menor ideia de tantas reviravoltas na história de vida dele, além do próprio KFC ao longo de tantas décadas.

E pensar que tanta gente acha que está velha demais para tentar e desistem de seus sonhos. Ele mostrou que vale a pena o esforço e seguiu tentando por toda a vida, mesmo depois de ter feito dar certo.

Fun fact: li há algum tempo atrás que no Japão (ou em partes dele) existe uma tradição desde os anos 70 de comprar asinhas de frango do KFC na véspera de Natal, mesmo para quem não é cristão (e só 1% dos Japoneses é cristão).

Para quem ficou curioso, achei o link de uma matéria sobre o tema da StartSe:

https://www.startse.com/artigos/a-inspiradora-historia-do-fundador-do-kfc/

Mais uma grande big tech integrando Generative AI em suas soluções não me parece ser o que mais chama a atenção aqui!

Afinal, essa já é uma nova realidade dentro do panorama tecnológico, onde pipocam novos cases a todo instante.

Essa matéria recente da TechRepublic comenta sobre uma nova movimentação de mercado:

ChatGPT powers up Salesforce's Einstein AI

Quando mais uma gigante como a Salesforce passar a adotar Generative AI me parece ser um sinal que só reforça isso.

Agora o que me chamou realmente a atenção foi o fato de a Salesforce não buscar criar a sua própria plataforma, mas sim adotar o ChatGPT.

Essa é uma demonstração de que o ChatGPT já se posicionou como um grande player nesse mercado como uma plataforma a ser adotada por outras gigantes.

Outro dia surgiu a notícia de que a SAP havia firmado uma parceria similar com a IBM (não tenho certeza se era com o WatsonX ou outra solução). Me parece que é uma movimentação na mesma direção.

Ainda acho que estamos apenas engatinhando nesse novo mundo com a adoção massiva de AI, e como digo, não temos a menor ideia de como estaremos em 5, 10 ou 20 anos.

Nesse sentido, o mercado ainda está em ebulição e devemos ter ainda muitas disputas, alianças, ascensões e quedas de players.

OpenAI, Microsoft, IBM, Google, Amazon (e certamente outros que não me lembro agora) já apresentaram suas plataformas e outras ainda vão se manifestar.

De qualquer forma, quando se considera a divulgação de cases e adoção de mercado da OpenAI e da oferta de serviços pela Microsoft, acho melhor as demais big techs que queiram entrar no mercado como alternativas competitivas acelerarem suas ofertas antes que se crie um provedor dominante no "top of mind".

Houve um tempo em que focar em "pessoas" ou em "performance" eram escolhas excludentes.

Mas o "tempo", sempre o "senhor da razão" vai mostrando que não tem muita lógica escolher entre um ou outro.

Nesse sentido, recomendo a leitura desse artigo da McKinsey & Company sobre o tema (vale baixar o PDF para maiores detalhes):

https://www.mckinsey.com/mgi/our-research/performance-through-people-transforming-human-capital-into-competitive-advantage

Em primeiro lugar, é sempre muito satisfatório poder ver em números, com dados e fatos, aquilo que a experiência empírica já mostrava (ou no mínimo indicava): as empresas que focam nas pessoas podem concomitantemente focar em performance!

E mais: conseguem melhores resultados gerais do que aquelas empresas com foco prioritário no desempenho, de forma mais perene, creio que comprovando aquela teoria da espiral virtuosa.

Para quem (como eu) gosta de uma visão bem estruturada com quadrantes, racionais claros, hipóteses e conclusões, o material é um deleite!

E mais uma vez deixo minhas ponderações:

  1. Vivemos em um mundo onde a competição é cada vez maior (acho que nem precisava colocar essa reflexão na lista, já é bem sabido por todos). Os oceanos azuis estão se tornando vermelhos cada vez mais rápido.
  2. Quando se tem tantas empresas e, consequentemente, tanta gente extremamente competente buscando o sucesso, se torna ainda mais relevante buscar a excelência, e muitas vezes a diferenciação frente ao mercado pode vir da atenção e carinho com os pequenos detalhes.
  3. Não canso de lembrar que (ainda) vivemos em um mundo onde tudo é feito por e para pessoas, então vale a pena garantir que elas façam parte da equação em qualquer estratégia, decisão e ação. Essa abordagem de "People + Performance" vai exatamente nessa direção.
  4. A quantidade de materiais ricos e inteligentes disponíveis livremente na Internet é incrível. Obviamente a maior parte é "vanilla" e precisa ser analisada sob uma ótica de visão crítica sobre o que faz ou não sentido dentro do contexto de cada organização, mas ainda assim, vale a pena se manter atualizado e fazer uso do conhecimento disponível.
  5. Muitas vezes, em um primeiro momento, materiais e conceitos como esse podem parecer fazer sentido apenas sob a perspectiva da empresa como um todo. Isso pode levar você a se sentir impotente e pensar algo como "quem sou eu para falar da estratégia da empresa inteira". Não se limite nem se anule, use o estoicismo e atue naquilo que está sob o seu controle. Se as ideias fizerem sentido os resultados virão e isso pode ser o início de uma grande transformação orgânica. Ideias são mais poderosas do que você imagina.

Quais os prognósticos e desafios para as plataformas de No & Low-code aqui no Brasil?

Estive recentemente em alguns eventos sobre essas plataformas e achei as discussões muito boas.

Vi um público engajada e com uma vibe muito positiva, assim como uma atmosfera "indie" do ecossistema de palestrantes e empresas.

Atendendo às minhas expectativas, vi discussões bem interessantes dos impactos de Generative AI no mundo Low-code.

Outra coisa que me chamou bastante atenção foi com a "demografia" da audiência: vi muita gente jovem!

Somando tudo (público jovem + crescimento exponencial com AI + ecossistema em ebulição), o saldo é bem positivo.

Ficou bem claro o quanto o low-code se desenvolveu no mundo e o quanto ainda há por ser percorrido no Brasil até fazermos um catch-up com o cenário global (embora já existam alguns cases locais bem parrudos).

Considerando o tamanho do público "enterprise" + plataformas cada dia mais maduras e sofisticadas + crescimento exponencial com AI + ecossistema cada dia maior, reforça a percepção geral de que esse tema veio para ficar e tem tudo para crescer muito aqui.

Eu acredito que o conceito e as tecnologias de No & Low-code vieram para ficar e terão cada vez mais relevância no mundo enterprise. Listo alguns poucos pontos como meu racional para isso:

  1. Há uma demanda crescente por soluções em tecnologia, isso basicamente em qualquer tipo de empresa, ou mesmo em quase qualquer setor dentro de uma empresa. E a concorrência faz com que a pressão por prazos seja igualmente crescente.
  2. Apesar dos cortes recentes nas big techs, o consenso é de que ainda temos mais demanda que oferta de profissionais de tecnologia, e o low-code tende a ampliar o espectro de profissionais habilitados para desenvolver soluções.
  3. É cada vez mais comum a adoção de conceitos como Fusion Teams, Citizen Developer e afins que buscam justamente aproximar (ou mesmo "fundir" a tecnologia com o negócio), o que tem tudo a ver com o tema.
  4. Mesmo nas empresas em que não ocorreu (ainda) essa fusão proposital entre business e IT, o fato é que a fluência em tecnologia por parte das pessoas "de negócios" é cada vez maior, até mesmo pela exposição crescente aos serviços digitais que qualquer pessoa já tem hoje em dia enquanto consumidor.
  5. Acredito que com o avanço exponencial de Generative AI a facilidade no uso de No / Lo-code tende a ser cada vez maior. Se o GitHub Copilot e soluções afins já estão transformando a realidade do mundo dos desenvolvedores "de TI", imagina o quanto essas plataformas de AI não farão em um mundo que já é para ser simplificado by design?

De qualquer forma, também acho que nem tudo é tão simples assim e sigo com sérias dúvidas e indagações sobre como conciliar o desenvolvimento descentralizado nesse "mundo shadow IT" com as necessidades e requisitos de controle intrínsecos de IT do "mundo enterprise", como:

Enfim, acho que é algo "recente" com suas arestas a serem aparadas, mas que já vem demonstrando o seu valor há algum tempo e tem tudo para crescer ainda mais em paralelo com as soluções Cloud e AI.

Será que as empresas aprenderam com os erros da cloud (tanto próprios quanto dos outros) e vão implementar Generative AI do jeito certo?

Li um artigo autoral da InfoWorld CIO que achei sensacional sobre o tema. Muito prático e pé no chão.

Alguns grandes insights:

  1. Generative AI será mais um serviço cloud SaaS. Acho que não será surpresa para ninguém nos dias de hoje estar ciente de que não se deve esperar ter isso rodando on premises.
  2. Creio que o primeiro ponto explica muito do push brutal de todos os grandes vendors para a tecnologia Generative AI. Certamente será uma enorme fonte de receita dado que os clientes precisarão consumir cloud para fazer uso dessa tecnologia.
  3. Generative AI pode muito bem vir a ser um "Extinction Level Event" para as empresas que optarem por ignorar essa tecnologia, afinal, tudo indica que que os ganhos por economia de escala ou por diferenciação de serviços e produtos será grande demais por parte daqueles que a adotarem ao ponto de disruptar aqueles que não o fizerem.
  4. Implementar e escalar o uso de soluções de Generative AI não será nada barato e é melhor as empresas terem isso bem claro na criação e aprovação de seus business plan e investment plan. E que estejam preparadas para provisionar um bom budget.
  5. Por fim, uma reflexão sensacional: que as lições da cloud tenham sido aprendidas, ou seja, que se faça a implementação do jeito certo logo de largada (ou o mais certo possível dentro do que se sabe hoje), a fim de que não se repitam os equivalentes aos "lift and shift" que não permitiram capturar todo o valor potencial da tecnologia cloud. Não vale a pena fazer economias insanas dessa vez com Generative AI.

Como o autor muito bem coloca, é possível que o diferencial da tecnologia seja tão grande que não haverá uma segunda oportunidade para quem fizer errado agora, daí a importância de não errar.

Acho que todos nós já lemos e ouvimos discursos "distópicos" como esse no auge da hype do metaverso, mas pelo tamanho e velocidade acelerada da adoção do Generative AI, acho que dessa vez pode ser para valer!

Abaixo o link para a matéria original:

https://www.infoworld.com/article/3698451/cloud-based-generative-ai-wont-be-cheap.html

Será que a oferta das "novas tecnologias" é "democrática", no sentido da disponibilidade ampla independentemente do tamanho da empresa?

Eu acredito que ao menos enquanto ferramentas e plataformas, a oferta de serviços para pequenas e médias empresas é muito maior do que jamais foi para temas que antes eram restritos à grandes corporações.

A nova realidade trazida pelo SaaS via cloud nos trouxe a um novo mundo que era impensado até alguns anos atrás.

Data, Analytics e AI, dentre outros tipos de "novas tecnologias". Essa oferta foi muito mais "democratizada" e está disponível para basicamente todos.

Mas ainda assim, quando se pensa de uma forma mais ampla, para utilizar esses conceitos e de fato capturar valor não é uma questão apenas de ferramentas e plataformas. Existem todo um conjunto adicional de dimensões, como (apenas alguns exemplos):

  1. Estratégia clara do que a organização deseja atingir e como pretende utilizar essas tecnologias.
  2. Processos inéditos e forma de trabalhar.
  3. Cultura e transformação da forma de pensar.
  4. Pessoas em quantidade e skills adequados.

E usualmente esse tipo de capability não é trivial nem exatamente barato. Muitas vezes se faz necessário o suporte de consultorias para acelerar esse aprendizado.

Nesse sentido não sei o quão acessível para pequenas e médias empresas é criar equipes ou contratar serviços desse tipo.

Confesso que não sou muito familiarizado com a realidade de pequenas e médias empresas, então minha opinião é muito mais um best guessing do que um atestado da realidade.

Se alguém que estiver lendo possuir conhecimento prático de pequenas e médias empresas e puder dar uma visão sobre como é hoje o desafio de utilizar esses conceitos no dia a dia dos negócios, agradeço se puder comentar!

Abaixo um artigo muito interessante da CIO Online especificamente para BI, mas que em parte creio que vale para outras "novas" tecnologias também:

https://www.cio.com/article/453900/are-smbs-invited-to-the-business-intelligence-bi-party.html

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