Para começar o ano antenado e atualizado., apresentação muito clara do reporte de umas semanas atrás do Gartner com as principais tendências para o próximo ano:

https://webinar.gartner.com/440340/agenda/session/1040285

É mais legal assistir uma apresentação do que ler um relatório frio. Grandes destaques:

  1. O quanto mudou da lista de 2022. Quem tiver a curiosidade de ver o material análogo da Gartner sobre as prioridades estratégicas de 2022 vai ver uma lista de 12 itens quase que totalmente distintos dessa lista de 2023.
  2. Destaque de temas relacionados com SRE. Na lista desse ano basicamente 3 de 10 itens tem muito a ver com SRE, seja para criar sistemas "digitalmente imunes", seja a observabilidade, seja o próprio tema de Adaptative AI, que tem muito a ver com como operar IT.
  3. Legal ver temas evoluindo no tempo. O que o Gartner chamou de "Composability" no ano anterior, agora virou "Platform Engineering", tudo bem que como um conceito mais amplo, mas me parece que com o mesmo conceito base de prover a fundação e as "peças lego" para a aceleração da entrega de valor por times tanto de IT quanto do próprio business.
  4. Sigo cético com o Metaverso e os fiascos recentes me parecem mostrar que não tem demanda nem utilidade real para ser uma "prioridade estratégica".
  5. Sustainable IT parece estar crescendo a cada dia, acho que em decorrência das próprias questões de ESG. Esse tema deve mesmo ganhar relevância no dia a dia e vale ficar atento para as implicações diretas em IT.

Continuando com a questão (sempre acalorada) de Débito Técnico, uma boa analogia com a vida "civil":

"A simples menção de dívida evoca a sensação de estar sobrecarregado e sob estresse. E sair da dívida é uma tarefa árdua!".

Esses dias mesmo ganhou muita divulgação o case da Southwest, que foi agravado pela obsolescência e débito técnico acumulado da sua plataforma.

Toda solução tem seu ciclo de vida e ter débitos técnicos e obsolescência é inevitável. O que podemos escolher é como endereçar isso: de forma cotidiana e proativa, ou de forma displicente e encarar uma crise quando a plataforma colapsar.

Mas um ponto adicional que vale refletir e comentar mais uma vez é o aspecto de o quanto o modelo Agile pode impactar ainda mais o risco e as dores do débito técnico.

Infelizmente acaba sendo uma tendência do modelo Agile dar menos atenção ao planejamento e desenho de médio e longo prazo, priorizando a visão de curto alcance (uma outra sprint ou no máximo a PI).

Isso por si só já aumenta o risco de se criar algo mais difícil de manter e atualizar no futuro.

Depois tem a questão de priorizar as ações de mitigação/resolução de débito técnicos dentro das sprints.

Verdade seja dita, as demandas com impacto no business tendem a ganhar na hora da prioridade, muito pelo próprio entendimento geral de que o PO (primordialmente do business) é quem tem a prerrogativa usual de priorizar o que entra na sprint.

Soma-se a isso o fato de que muitas vezes as "contrapartes" de IT ou possuem menor poder de decisão (por exemplo um scrum master terceiro com pouca autonomia ou senso de ownership sobre a aplicação, ou mesmo arquitetos com foco apenas no desenho da solução, mas não na gestão do lifecycle do sistema ou infra).

Faz parte dos desafios de IT ser capaz de conciliar a agilidade com o zelo e excelência em criar e manter as soluções.

Vale a leitura dessa matéria da InfoWorld sobre o tema:

https://www.infoworld.com/article/3660632/you-re-thinking-about-technical-debt-all-wrong.html

E a cada dia recursos tecnológicos avançados vão se popularizando e sendo oferecidos/adotados de forma massificada.

Tudo bem que nesse caso, comunicação via satélite, pode-se dizer que há algumas décadas atrás já existiam serviços comerciais nesse sentido, mas eram de acesso bastante restrito, especialmente pelo preço não acessível ao público em geral.

Agora estamos falando em oferecer esse tipo de serviço (ainda que em outro modelo) de uma forma absolutamente massificada, na casa de milhões de usuários ao redor do globo.

Eu particularmente não me vejo (hoje) tendo a necessidade de enviar e receber mensagens via satélite, mas o fato de ter esse recursos à disposição não deixa de ser interessante!

Acho que a maioria das pessoas que curtem novas tecnologias devem pensar da mesma forma.

Além de que certamente existem pessoas que efetivamente farão uso do recurso por necessidade, da mesma forma que surgirão novas ideias e serviços inovadores uma vez que o serviço esteja disponível para milhões de pessoas!

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