Ainda na linha de pesquisas da visão geral de mercado, essa aqui da Deloitte também merece ser lida:

https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/financial-services/articles/digital-banking-maturity.html

Dispensa comentários que a estratégia digital é chave (há alguns anos) para os bancos, mas é sempre legal ver sob a ótica de números/resultados o que significa buscar a excelência nisso (comparativamente aos pares menos digitalizados), como o ROE 1,5 pp superior.

Outros pontos que me chamaram a atenção:

1) Aumento geral da digitalização em diversos produtos ao longo da cadeia de valor. Isso se percebe a cada dia enquanto clientes.

2) Bancassurance entre os processos end-to-end com maior avanço na digitalização e entre os líderes digitais, é uma das famílias de produto de maior diferenciação versus os menos digitais. Por razões óbvias, isso muito me interessa atualmente.

3) Finalmente os bancos (que têm tido seu mercado tão atacado por entrantes das mais diversas indústrias) parecem estar agora contra-atacando. Gostei da expressão do estudo para isso ("Beyond Banking"), com os apps atuando como "super apps" (o que casa com uma das tendências do Gartner).

4) Até tive a curiosidade de buscar nos apps que tenho conta e encontrei muitas das opções de variedade de serviços e produtos apontados no estudo (outros ainda não são uma realidade por aqui):
– Compra de passagens para transporte público (esse eu desconheço por aqui)
– Estacionamento e pedágio (esse eu encontrei e sou usuário há tempos)
– Pagamento de taxas governamentais (aqui creio que já é algo que temos há anos)
– Pagamento de contas (igualmente muito antigo por aqui)
– Compra de ingressos para shows e eventos (dentro de apps eu não acho comum)
– Integração com serviços de saúde (igualmente não encontrei por aqui)
– Marketplaces (acho que isso a maioria dos bancos possuem nos apps, embora tenho dúvidas sobre as vantagens de preços versus os apps de retails)

5) Adotando as melhores práticas de usabilidade e recursos mobile comuns em outros tipos de apps, como comunicadores e redes sociais. De fato, os apps estão cada dia mais caprichados e próximos de apps de serviços nativamente digitais.

Essa semana diversos vídeos surgiram comentando sobre a Baidu oferecendo serviço de taxi com veículos autônomos na China e eles realmente surpreendem pelo nível de avanço tecnológico.

É por essas e outras que eu sigo convicto de que estamos apenas engatinhando no mundo de AI/ML e afins.

E mais ainda, nem sequer conseguimos imaginar como será que estaremos daqui 20 anos, seja sob a ótica tecnológica em si, seja social e comportamental.

Como será que uma criança que nascer e crescer em um mundo cheio de carros autônomos vai enxergar alguém que trabalha como motorista?

Talvez da mesma forma que a gente hoje enxergamos alguém que trabalhasse como leiteiro entregando garrafas (de vidro) de porta em porta toda manhã (algo que era normal para nossos pais).

Se carros autônomos se mostrarem com o tempo mais seguros, baratos, sustentáveis e práticos que os tradicionais, acho que a adoção vai acabar sendo natural.

Nessa linha, restaria para os "não autônomos" um espaço de nicho para aqueles que assim enxergarem de alguma forma um valor diferenciado nisso.

Na comparação com o leite, outro dia vi aqui no prédio em que moro um serviço de entrega de ovos, ou seja existe um nicho para aqueles que buscam diferenciação de frescor, garantia de origem e tratamento das galinhas (talvez exista algo similar para leite).

Agora falando sobre não sabermos como será o futuro, e os erros de julgamento na hora de fazer previsões, fazendo uma analogia, nos anos 80 a telefonia imaginava que o futuro das comunicações seria o da vídeo chamada.

Basta buscar na Internet para ver quantos projetos das gigantes da comunicações naufragaram (após sabe-se lá quantos milhões ou bilhões gastos em pesquisas e produtos que não vingaram). A título de curiosidade, acho que os pagers eram da mesma época, e o SMS acabou vingando muito mais.

Mais de trinta anos depois, no mundo dos assistentes virtuais se apostou nas interações e comandos por voz. Parece que o público consumidor acabou indo por outro lado, e (apesar de não ver número e estudos a respeito) tenho a impressão de que os assistentes virtuais acabaram encontrando sua vocação se especializando na modalidade de chatbots (que parecem vir inclusive ganhando espaço das URAs), com engajamento maior no formato texto do que voz.

Acho cada dia mais raro ver alguém interagindo por voz com Alexa, Siri, Google e afins (quem lembra da Cortana, que até perdeu o ícone no Windows?). Pelo menos no meu dia a dia o único cenário de uso onde a voz faz mais sentido que o texto é quando estou dirigindo e peço para o Android Auto ligar para alguém.

Outro dia saiu a notícia de corte de investimentos na divisão da Alexa e dispositivos pela Amazon. Da mesma forma vejo cada vez menos novidades de dispositivos de interação exclusiva por voz da Google, Apple outros. Então fico com a impressão de que essa tendência parece não ter frutificado da forma como se esperava originalmente.

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