Aqui vai um artigo que espero que sirva como inspiração para 2023, com esse excelente artigo da Harvard Business Review:

https://hbr.org/2022/07/3-ways-companies-make-work-purposeful

Especialmente o item 1: "Make work interesting".

Concordo plenamente e acho que essa é a parte mais "millennial / geração Y" do meu perfil profissional.

E se qualquer um pensar bem, é meio que óbvio: considero muito difícil (quase impossível) buscar (muito menos ser capaz de garantir) o comprometimento, dedicação e a excelência (por longos períodos de tempo) quando se faz algo que você considera chato, enfadonho, sem razão de ser ou sem utilidade!

Daí a importância de se buscar tornar o trabalho e as atividades do dia a dia mais divertidas e que mereçam a nossa atenção e dedicação.

Também reforça a necessidade em se buscar o senso crítico sobre como as coisas são e porquê são como são.

A vida fica muito melhor, mais leve, com senso de propósito e significado quando se eliminam burocracias, procedimentos e atividades que não agregam nem geram valor prático.

Isso ajuda duplamente na minha opinião:

  1. Ser crítico e evoluir a rotina (cortando as inutilidades) é algo divertido por si só.
  2. O resultado dessa "limpeza" vai deixar o dia a dia igualmente muito mais divertido e leve.

Gosto muito dessas listas de tendências e como alguns temas convergem entre as empresas de pesquisa, ao mesmo tempo que outros divergem bastante.

Repasso essa lista de tendências da Gartner:

https://www.gartner.com/en/information-technology/insights/top-technology-trends

Dessa lista de 2023, o que me chamou a atenção:

  1. O quanto mudou da lista de 2022. Quem tiver a curiosidade de ver o material análogo da Gartner sobre as prioridades estratégicas de 2022 vai ver uma lista de 12 itens quase que totalmente distintos dessa lista de 2023.
  2. Destaque de temas relacionados com SRE. Na lista desse ano basicamente 3 de 10 itens tem muito a ver com SRE, seja para criar sistemas "digitalmente imunes", seja a observabilidade, seja o próprio tema de Adaptative AI, que tem muito a ver com como operar IT.
  3. Legal ver temas evoluindo no tempo. O que o Gartner chamou de "Composability" no ano anterior, agora virou "Platform Engineering", tudo bem que como um conceito mais amplo, mas me parece que com o mesmo conceito base de prover a fundação e as "peças lego" para a aceleração da entrega de valor por times tanto de IT quanto do próprio business.
  4. Sigo cético com o Metaverso e os fiascos recentes me parecem mostrar que não tem demanda nem utilidade real para ser uma "prioridade estratégica" (não agora).
  5. Sustainable IT parece estar crescendo a cada dia, acho que em decorrência das próprias questões de ESG. Esse tema deve mesmo ganhar relevância no dia a dia e vale ficar atento para as implicações diretas em IT.

Não podia virar o ano sem comentar esse reporte aqui, que deu muito o que falar nas últimas semanas:

https://www.software.com/reports/code-time-report

Chama a atenção o tempo médio por país, com uma certa correlação entre o nível de desenvolvimento socioeconômico e tempo codando.

Quanto ao "menos de 1h por dia" confesso que não fiquei surpreso.

Vale de largada assumir que um dev não vai passar 100% do seu tempo apenas codando.

É natural que ele utilize parte do seu dia a dia efetuando outras atividades.

E eu acho que é difícil cravar qual seria o "mínimo esperado" apenas codando dado que cada organização tem processos diferentes (sem entrar no mérito de prós e contras de cada qual – não é o propósito aqui).

No waterfall: primeiro se efetua todo o DF e DT por equipes que podem ou não ser devs (o detalhe da espec pode chegar no nível de "português estruturado").

A programação pode até mesmo ser feita nas famosas "SW factories" onde os devs focam só na codificação e teste unitário.

Nesse modelo o tempo dos devs será muito maior com a codificação (>1h/dia), pois recebem as especificações prontas, dado que alguém efetuou a especificação antes.

Já no modelo Agile se têm times multidisciplinares onde, em geral, não existe de forma tão bem estruturada o DF e DT do que deverá ser codificado.

Então os devs passam menos tempo codando, pois uma parte do esforço se dará maturando o que deverá ser feito. Eles também atuam mais diretamente no processo de testes e homologação para o deploy.

Para mim ficam algumas reflexões:

  1. Vale buscar a disciplina do DOR e só colocar para o desenvolvimento em uma sprint aquilo que está maduro para ser desenvolvido.
  2. E se existir um modelo que potencializa o valor de cada perfil profissional? Existem pessoas que adoram codar e são absurdamente produtivas nisso, mas que não gostam e não são tão produtivas na "especificação" ou discussões junto ao business. Existe o inverso e está tudo bem (cada indivíduo tem suas fortalezas). E se houver times especializados em maturar o que precisa ser feito e times especializados em implementar (nos casos em que fizer sentido)?
  3. Um posts que me chamou a atenção nesse estudo foi um do Fernando Da Silva, com um print de uma agenda onde o dia inteiro do dev era ocupado por reuniões. Será que a cultura de reuniões já não chegou ao limite e está impactando os times?
  4. Há o desafio de balancear entre "blindar o time" para que ele não seja bombardeado com reuniões (mantendo o foco), versus "expô-lo" para interagir, ser desafiado e adquirir skills adicionais que não terão apenas codificando.
  5. Complementando o item 4, falando por mim, comecei como dev e foi justamente por ter tido o líderes que me deram essa abertura de canais e variedade de atribuições (ainda que impactando o tempo "focado" em codar) que pude descobrir um mundo de outras atividades com as quais me apaixonei e que me permitiram navegar ao longo da carreira até hoje. Então acho importante esse balanço entre foco X multi disciplinas!

As empresas que passam a utilizar AI, ML, Data & Analytics rapidamente percebem que uma coisa é testar, aprender e trabalhar com essas tecnologias em um formato de "PoC" ou "Laboratório".

Outra coisa muito diferente é utilizar essas tecnologias no dia a dia, como parte do stack tecnológico usual, com modelos e casos de uso em escala por toda a organização.

Aqui um e-book muito bom da Dataiku abordando justamente isso:

https://content.dataiku.com/safely-scaling-ai#page=1

Visão muito bem estruturada sobre como escalar AI nas organizações, menos sob a ótica técnica (a premissa no artigo é que esse lado já está sob controle) e sim sob a ótica de um processo recorrente.

Entendo que para chegar a esse ponto, os desafios de explorar e criar os skills e as competências em AI já foram atendidas.

Aqui a visão é de como as empresas podem escalar o uso de AI (para chegar a esse ponto a etapa de exploração e maturação de AI já foi alcançada).

Nesse sentido, fica muito claro o quanto a governança de iniciativas é importante, incluindo uma questão chave que usualmente é um drama em grande parte das empresas: como priorizar e decidir o que efetivamente é mais importante (além de garantir os recursos necessários para tal).

Você já fez uso de alguma das plataformas de Generative AI?

Até pouco tempo atrás esse tipo de solução era de uso mais restrito, quase que para um pequeno grupo de estudiosos ou grandes entusiastas do tema.

Mas isso mudou e a oferta de soluções e serviços está cada vez mais ampla.

Sugiro a todos criarem uma conta e testarem por si só o ChatGPT!

É assustadoramente bom.

Então sugiro que seus filhos em idade escolar não tenham acesso… rs

Mas piadas a parte, é incrível o ponto que já chegamos.

O poder de dissertação do ChatGPT é incrível, e pelo visto já nasce em múltiplos idiomas (pelo menos vi que entendeu e respondeu nativamente bem em português e inglês).

E pensar que é baseado em tecnologia open. Surpreende mais ainda!

Vamos ver qual será a adoção dessa plataforma (e provavelmente de outras análogas que surgirão) por parte das empresas.

Aqui um artigo bastante rico da McKinsey explorando os avanços e expectativas de uso do Generative AI:

https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights/generative-ai-is-here-how-tools-like-chatgpt-could-change-your-business?cid=soc-web

E não e que a Apple finalmente está revendo as suas políticas de "monopólio" da AppStore?

Vale ler essa matéria da ComputerWorld:

https://www.computerworld.com/article/3682761/apple-looks-poised-to-open-its-walled-garden-in-2023.html

Já estava mais do que na hora de se rever isso.

É uma pena que esse tipo de ação só se dê por conta das pressões regulatórias.

Acho que depender do Estado para promover o livre mercado é um sinal de como as coisas vão indo mal. Por outro lado, talvez estão demorando demais para fazer algo, pois o nível de poder nas mãos das big techs só tem crescido.

Lembro de ter visto um documentário há uns 2 anos que justamente comparava o poder dos monopólios/duopólios do início dos anos 1.900 com o que vemos hoje no mundo digital.

Lá era apontado que as gigantes do petróleo, aço e telefonia tinham bem menos poder econômico e de lobby político do que as gigantes digitais de hoje (que ainda por cima possuem adicionalmente certo poder "social" e tudo isso em escala global).

E ainda assim foram drasticamente fracionadas e reguladas!

Fazendo apenas um paralelo, como será com as plataformas de Cloud?

Vão proativamente estabelecer mecanismos de portabilidade e interconectividade em padrões "abertos", ou será que vão seguir na mesma pegada da Apple de walled garden até serem "incentivadas" por órgãos reguladores e pressões geopolíticas a se abrirem?

Qual a melhor forma de mensurar o quão confiável, estável e performático é um determinado sistema ou solução?

Aqui nessa matéria da CIO Online o tema é discutido de forma bastante inteligente:

https://www.csoonline.com/article/574243/mttr-not-a-viable-metric-for-complex-software-system-reliability-and-security.html

Eu acho que o MTTR sozinho não responde tudo, mas é um indicativo (dentre outros) que ajuda a entender o quão bem organizada, instrumentalizada e provida do ferramental e recursos necessários uma dada equipe está para lidar com os incidentes e reestabelecer os serviços.

Ainda assim, gostei muito da afirmativa:

"No matter what your (unreliable) MTTR might seem to indicate, you'd still need to investigate your incidents to understand what is truly happening with your systems."

O que realmente move o ponteiro enquanto nível de serviço e reliability é atacar o que causa os incidentes em si!

Dessa forma, me parece muito natural buscar indicadores que enderecem isso também, e não apenas o final da cadeia, quando a aplicação já está em produção.

Os tempos modernos exigem empresas cada vez mais ágeis e eficientes.

Mas toda e qualquer empresa é formada primordialmente por pessoas, são elas que fazem tudo acontecer, afinal como defendo com bastante frequência, ainda vivemos em um mundo onde tudo é feito por e para pessoas, então é essencial colocar esse fator da equação em destaque.

Dessa forma, para alcançar o sucesso, é essencial ou no mínimo bastante útil, formar e cultivar equipes de alta performance.

Dentro desse contexto aqui vai uma matéria da CIO Online abordando muito bem essa questão:

https://www.cio.com/article/415874/7-ways-cios-can-build-a-high-performance-team.html

Não é coincidência que todos os itens são relacionados com PESSOAS, ORGANIZAÇÃO e CULTURA!

Esses são os ingredientes para a mágica da transformação. Todo o resto vem como consequência.

Tecnologia de ponta, soluções inovadoras, operação eficiente, resiliente e de alta performance, tudo é resultado de:

  1. Pessoas competentes e engajadas
  2. Trabalhando em uma organização bem azeitada com processos fluídos
  3. Compartilhando uma cultura vibrante e positiva

Mais um movimento ousado de uma das big techs!

Eis que a MS passa a ter 4% da Bolsa de Londres e de certa forma "entra no mercado financeiro", segundo esse vídeo:

https://www.linkedin.com/posts/bobevansit_cloudwars-cloud-industries-activity-7009511375085387776-BPTs?utm_source=share&utm_medium=member_desktop

Como é bem apontado pelo autor:

  1. As big techs passam a entrar (discretamente ou nem tanto) em outras indústrias que não a sua usual.
  2. Outras indústrias passam a buscar ativamente "parcerias" com big techs para buscarem seu lugar ao céu no mundo digital
  3. As formas de como clientes e vendors se relacionar vai ficando cada vez mais sofisticada.

Me recordo de outros casos nessa direção (de fato nos anos mais recentes), mas não me lembro de serem nessa ordem de magnitude financeira.

Creio que se trata de uma nova fase do modelo capitalista, onde gigantes com um enorme poder financeiro passam a abordar o mercado de uma maneira diferente, firmando acordos de parceria com seus clientes, só que não mais apenas como fornecedores, mas sim como sócios.

Infográfico muito legal para entender visualmente os grandes e sequenciais avanços que a humanidade tem conquistado ao longo dos diversos ciclos de inovação!

Concordo plenamente que a onda da vez é AI e afins.

Fazendo o paralelo na escala do tempo do início da onda anterior (começo da década de 90) o que tínhamos eram computadores desktop com o Windows 3.0 sem rede e fechamos a onda com smartphones com poder de processamento, sofisticação de SW e conectividade 5G que eram inimagináveis 30 anos antes.

Outro ponto é ficar claro que cada onda de inovação/transformação vai se mostrando mais acelerada a cada onda. Antes duravam milênios, depois séculos, depois décadas e agora estamos na era dos míseros anos.

Lembro de ter visto em algum lugar um diagrama similar, mas mais amplo (acho que era desde a "invenção do fogo").

Quando se olha a evolução das ondas de inovação ao longo da história humana, fica ainda mais claro o quanto cada qual vai acelerando mais ainda de milhares, para centena e depois poucas dezenas de anos!

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