Nesse artigo eu trago uma visão atualizada das principais certificações de gestão de projetos disponíveis no mercado.

Vale a leitura e atualização a partir dessa matéria da CIO Online:

https://www.cio.com/article/230398/top-project-management-certifications.html

Eu não tinha parado para pensar que era tão enorme a variedade de opções do mercado quanto à certificação nessa área de conhecimento e atuação profissional.

Aqui uma “pequena” lista delas:

  • Agile Certified Practitioner (ACP)
  • Associate in Project Management (APM)
  • BVOP Certified Project Manager
  • Certified Associate in Project Management (CAPM)
  • Certified Project Director (CPD)
  • Certified Project Management (CPM)
  • Certified Project Manager (CPM-IAPM)
  • Certified ScrumMaster (CSM)
  • CompTIA Project+
  • Master Project Manager (MPM)
  • PRINCE2 Foundation/PRINCE2 Practitioner
  • PRINCE2 Agile Foundation/Agile Practitioner
  • Professional in Project Management (PPM)
  • Project Management Professional (PMP)
  • Program Manager Professional (PgMP)

A importância da disciplina na gestão de projetos

Confesso que não conheço todas as metodologias e certificações de gestão de projetos e consequentemente não tenho como opinar sobre cada uma delas.

Mas posso falar com alguma propriedade sobre o PMP (do PMI).

Aqui uma disciplina que vi a “ascensão” e a “queda” ao longo dos anos de vivência em IT: PMO

Me recordo de obter a certificação PMP em 2009 e naquela época estávamos na fase de “ascensão”, com controles e gestão de projetos, programas e portfólios no mais absoluto detalhe.

Acho que foi o auge do Waterfall e o Agile era parte da “cena underground”!

Muito se fala hoje em “organizações planas” e eu concordo com muitos dos conceitos, mas por mais plana que ela possa ser, os papéis de liderança seguem sendo chave.

Já passei por muitos projetos ao longo da minha vida, tantos que realmente já perdi a conta.

Lembro de ter acompanhado o auge do mundo Waterfall e toda a gestão “amarrada”, ainda reforçada pelo então famoso “PMO”, que era uma camada adicional de gestão sobre projetos, programas e portfólios.

Havia alguns excessos e se geravam dúvidas e debates sobre o tamanho do overhead decorrente do famoso “PMO”.

Vivi (e vivo) a realidade subsequente do mundo Agile, com suas promessas e expectativas de “times autogeridos” e em alguns casos algumas premissas ou abordagens que se mostraram irrealistas no nosso mundo empresarial que espera por resultados e precisa ter acordado algumas expectativas.

Não funciona muito bem o “termina quando acabar” ou “custa o que custar”.

E quando comparo os dois mundos e vejo para onde temos seguido fica claro o quanto o mundo é pendular, mudando de sentido de acordo com os excessos de cada lado. Nem tanto ao céu nem tanto ao inferno!

Acredito que os times podem e devem evoluir ao longo do tempo, mas quanto a autogestão, a vejo mais como uma ambição do que um ponto de partida.

Nesse sentido, a disciplina de gestão de projetos, e o conceito de “liderança” em si, seguem sendo muito relevante

A virada para o mundo Agile

Obviamente, as coisas mudaram muito ao longo dos últimos anos e creio que o Agile (em suas diversas variações) se consolidou como o novo “padrão”.

Tive o enorme privilégio de ter participado diretamente daquilo que chamamos na ocasião de “virada ágil” em um grande banco, onde a proporção de iniciativas entregues em Agile saiu de algo ínfimo para algo na ordem de 90-95%.

Lembro de todo o “arcabouço” e fundamentação metodológica Agile utilizada.

Foi sensacional e trouxe todo um novo ânimo para os times, sejam de IT ou Business.

Mas algo que realmente me marcou e que trago como experiência até hoje é a necessidade de pragmatismo e praticidade nessa virada.

Ficou muito claro e comprovado em números que metodologia por metodologia não traz resultados/benefícios reais e, sendo bem transparente, pode te levar a queimar dinheiro, algo que quando se têm eventualmente milhares de pessoas em modelo time & material, pode significar muito dinheiro!

O real valor do PMP

E é aí que acredito fazer sentido o PMP, não como metodologia por metodologia, pois igualmente não traz resultados, mas sim como um “framework conceitual” de temas que precisam ser pensados e tratados ao longo da cadeia de valor para a entrega de projetos, independente da forma que você escolha trabalhar.

Cito alguns de cabeça que julgo relevantes:

1) – Escopo: afinal de contas, o que se quer fazer? Acho que tudo parte daqui, e mesmo em um mundo “digital” onde se queira primeiro “explorar”, sob uma ótica de projeto, “explorar” é um escopo em si!

2) – Prazo: considero que “é do jogo” haver uma variação e que muitas surpresas ou incertezas são descobertas e tratadas ao longo da jornada, mas é preciso ter alguma expectativa ou baseline. Não dá para viver na linha do “o prazo para terminar é quando a gente te acabar”.

3) – Custo: vivemos em um mundo de recursos finitos (especialmente os financeiros – se alguém aí possui recursos infinitos, por favor, me diz como chegar nessa realidade!). Nesse sentido, não é sustentável seguir a linha que “custa o quanto custar”, é necessário ter uma expectativa inicial a partir de alguma estimativa, a preocupação com a engenharia financeira para garantir o funding necessário (com suas variações possíveis de capex e opex), além da gestão orçamentária ao longo do processo buscando a melhor eficiência financeira possível.

4) – Qualidade: a cada dia fica mais claro que a qualidade é chave para o sucesso. Primeiro obviamente é necessário definir o que é qualidade em cada contexto, assim como quais os thresholds aceitáveis. De qualquer forma, independentemente do método de trabalho, a qualidade não pode ser deixada em segundo plano, com o risco de se impactar drasticamente o prazo e custo para se alcançar um mesmo escopo.

5) – Comunicação: quanta dor de cabeça não poderia ser evitada, ou percepções erroneamente positivas ou negativas contornadas, dentre tantos outros efeitos, caso a “causa raiz” da comunicação falha tivesse sido devidamente planejado e executado. Aqui outro tema que independe do método, ainda assim precisa ser endereçado.

6) – Pessoas: acho que o PMP ainda deve chamar friamente de “gestão de humanos”, mas no fim do dia estamos falando de pessoas. Se você não souber quais seus objetivos de escopo (seja “explorar ideias” seja “entregar realidade”), prazo, limitantes de custo, range de qualidade, modelo de comunicação e por aí vai, como então saber qual o mix de competências é o mais adequado, assim como ser capaz de gerenciar o staffing, on-boarding, evolução e engajamento do time? Tudo acaba se inter relacionando!

7) – Riscos: mais um que não importa o método, de alguma forma tem que ser gerenciado. Cada escolha é uma renúncia e aquilo que se escolhe impacta diretamente o nível de risco, seja quais tecnologias e arquitetura d3finidas, tamanho do escopo dentro de um dado prazo, aceitar padrões mais baixos ou definir metas muito altas de qualidade, fazer o staffing de um time mais júnior ou experiente, com mais ou menos proficiência nas competências requeridas, enfim, cada decisão traz embutido um conjunto de riscos que precisam estar declarados e serem devidamente aceitos ou mitigado, caso contrário, se prepare para muita dor de cabeça!

8) – Integração, Procurement e Stakeholders: confesso que esses aqui eu tive que me dar ao trabalho de olhar o framework PMI pois não me lembrava de cabeça! Ainda assim, caem na mesma lógica de serem temas relevantes e que precisam ser abordados e gerenciados ao longo da entrega, independentemente do modelo de trabalho ou metodologia escolhida. Vai variar quem será responsável por isso, mas alguém vai ter que fazer, caso contrário os problemas surgirão ao longo da jornada.

O Papel Fundamental do PMP na Gestão de Projetos

A gestão de projetos é uma disciplina crucial que envolve o planejamento, execução e monitoramento de projetos para garantir que sejam concluídos com sucesso, dentro do prazo e do orçamento estabelecidos, atendendo aos objetivos propostos.

Este campo abrange uma variedade de técnicas e ferramentas destinadas a coordenar recursos, gerenciar riscos e otimizar a eficiência e a eficácia dos processos de trabalho.

Dentro deste espectro, a certificação Project Management Professional (PMP) oferecida pelo Project Management Institute (PMI) é reconhecida globalmente como um dos padrões de ouro para profissionais da área.

A certificação PMP desempenha um papel central na profissionalização e na eficácia da gestão de projetos.

Ao fornecer um conjunto rigoroso de práticas, um framework metodológico robusto e um foco na melhoria contínua, o PMP prepara os gerentes de projeto para enfrentarem com sucesso os desafios complexos de projetos modernos.

Assim, essa certificação não apenas eleva o nível individual dos profissionais, mas também contribui significativamente para a maturidade organizacional no gerenciamento de projetos, resultando em entregas mais eficientes, eficazes e alinhadas com as necessidades estratégicas das empresas.

Abaixo alguns aspectos principais do PMP na gestão de projetos:

  1. Estabelecimento de um Framework Metodológico
    O PMP fornece um framework abrangente que aborda as cinco fases essenciais da gestão de projetos: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. Essa estrutura metodológica é vital porque oferece um caminho claro e estruturado que ajuda os gerentes de projeto a navegarem desde a concepção até a conclusão do projeto, garantindo que todas as fases sejam tratadas com a devida atenção e rigor.
  2. Aplicação de Melhores Práticas
    A certificação PMP é fundamentada nas melhores práticas consolidadas no PMBOK Guide (Project Management Body of Knowledge), que é atualizado regularmente para refletir as mudanças e avanços na gestão de projetos. Profissionais certificados pelo PMP são treinados para aplicar essas práticas de forma eficaz, o que aumenta significativamente as chances de sucesso dos projetos em uma variedade de indústrias e contextos.
  3. Desenvolvimento de Competências Cruciais
    Profissionais com certificação PMP desenvolvem habilidades essenciais em áreas como gestão de riscos, estimativa de custos, alocação de recursos, gestão de cronogramas, e comunicação eficaz. Essas competências são fundamentais para lidar com a complexidade inerente à maioria dos projetos, permitindo que os gerentes de projeto identifiquem potenciais problemas antes que se tornem críticos e encontrem soluções eficientes e criativas para desafios inesperados.
  4. Foco na Entrega de Valor
    A certificação PMP enfatiza a importância de alinhar os objetivos do projeto com as metas estratégicas da organização, garantindo que cada projeto contribua positivamente para os resultados do negócio. Isso envolve não apenas a gestão técnica do projeto, mas também a garantia de que os resultados do projeto entreguem valor agregado aos stakeholders e aos clientes.
  5. Reconhecimento Internacional e Credibilidade Profissional
    Ser um PMP certificado confere um alto nível de credibilidade profissional. A certificação é reconhecida e valorizada globalmente em diversas indústrias, o que abre portas para oportunidades de carreira em diferentes países e contextos empresariais. Além disso, a certificação indica que o profissional se compromete com um padrão de ética e profissionalismo, fortalecendo a confiança entre clientes e stakeholders.

Concluindo

Em conclusão, destaco a relevância e a diversidade das certificações de gestão de projetos disponíveis no mercado, enfatizando a importância de escolher a certificação adequada que se alinhe com as demandas contemporâneas e específicas de cada projeto e organização.

A partir da minha experiência com a certificação PMP, ressalto que o sucesso na implementação de novas metodologias, especialmente a transição para práticas ágeis, demonstra de forma concreta como a adaptação a novos modelos pode efetivamente superar resistências e maximizar a eficiência e eficácia organizacional.

A gestão de projetos não se resume a seguir metodologias rigidamente, mas sim em aplicar um conjunto de princípios adaptáveis e estratégicos que atendam às necessidades dinâmicas dos projetos e contribuam para resultados tangíveis.

Isso reforça a ideia de que o verdadeiro valor de qualquer certificação ou metodologia reside na sua capacidade de fornecer um framework flexível e orientado a resultados, essencial para a gestão eficaz dos projetos em um ambiente de negócios que está em constante evolução.

Portanto, ao selecionar uma certificação de gestão de projetos, é crucial considerar como essa escolha contribuirá para o desenvolvimento de competências que são críticas para o sucesso dos projetos, incentivando uma cultura de melhoria contínua e inovação dentro das organizações.